12/10/2008 - 13:13 (atualizada em 12/10/2008 13:15)
Jovens dispensam empregos que pagam bem para lecionar
Fenômeno acontece nos Estados Unidos por incentivo das próprias empresas privadas
Da Redação
Uma pesquisa revelada pela revista Business Week mostra que jovens americanos formados pelas melhores universidades do país estão recusando convites de grandes empresas e aceitando propostas de trabalho em escolas públicas de mau ensino.
A escolha não se dá por idealismo juvenil ou falta de ambição, mas sim é fruto de um programa que tem conseguido alavancar a carreira dos recém-formados. Trata-se do Teach for America, que recruta e treina os melhores na faculdade para trabalhar em escolas.
Ligado a uma fundação sem fins lucrativos, de mesmo nome, o programa aparece entre as vinte melhores portas de entrada para o mercado de trabalho americano, à frente de outras tradicionalmente mais cobiçadas pelos jovens, como Microsoft e Nasa.
Neste ano, 3,700 jovens, entre engenheiros, advogados e físicos formados em algumas das melhores universidades dos Estados Unidos, fizeram a mesma opção.
Conseguiu-se tal feito com um conjunto eficiente de medidas. A mais relevante delas diz respeito à formação de uma rede entre o Teach for America e algumas das instituições nas quais os recém-formados mais ambicionam trabalhar, como o banco JP Morgan, a consultoria McKinsey e as universidades Harvard e Yale.
Depois de uma temporada no comando de uma classe de crianças, os jovens costumam ser automaticamente recrutados por tais instituições. Não só ocupam boas vagas como também negociam contratos mais vantajosos, que incluem, nas empresas, a presença de um tutor no início da carreira e, nas universidades, bolsas de estudo, entre outras regalias.
Todas essas instituições decidiram apostar no Teach for America por uma razão simples: elas estão atrás dos bons alunos que vão parar lá. O programa, afinal, só aceita inscrições dos melhores da turma e, ainda assim, apenas 15% dos candidatos sobrevivem à peneira.
É justamente a seleção rigorosa, feita por gente bem treinada para rastrear e até para convencer os estudantes mais talentosos a aderir à sala de aula, que explica boa parte do seu sucesso em atrair alunos de Harvard, Yale ou Princeton.
É bem verdade que a maioria dos jovens permanece como professor apenas pelos dois anos previstos no programa, para então seguir outros rumos.
Sua influência positiva sobre os estudantes nesse breve período, no entanto, já justifica a experiência – e faz refletir sobre a necessidade de contar com mais desses profissionais nas escolas.
Um estudo americano recente mostra que, em relação a um docente de padrão mediano à frente da classe, tais professores conseguem melhorar em até três vezes o desempenho de um mau aluno.
Conheça mais sobre esse projeto no site da revista VEJA.