Saúde

03/10/2008 - 11:01 (atualizada em 03/10/2008 11:28)

Doença do sono aumenta risco de hipertensão

Cerca de 40% das pessoas com hipertensão sofrem de apnéia do sono

Da Redação

Apnéia é uma síndrome que faz o ronco aumentar gradativamente, até ser interrompido por um período de silêncio, quando a pessoa fica sem respiração por alguns instantes, em um ciclo que se repete noite a dentro. Dados recentes mostram que a doença, cuja indicência é maior no sexo masculino, atinge aproximadamente 24% dos homens de meia-idade e 9% das mulheres, sendo 16% de forma leve a moderada e 7,5% de modo grave.

O que pouca gente sabe é que pessoas com apnéia estão mais sujeitas a desenvolver hipertensão. Isto acontece porque a faringe, ao relaxar durante o sono, torna estreita a passagem de ar, provocando as vibrações típicas do ronco, até se fechar completamente e interromper o fluxo respiratório temporariamente. Numa reação de defesa, o organismo libera adrenalina, que contrai os vasos, restringindo assim o espaço por onde o sangue circula. Como o volume sanguíneo precisa correr por vias contraídas, há o aumento da pressão.

No início, esse aumento ocorre apenas durante o sono, mas com o tempo pode passar a ser uma rotina. Por isso, a medição da pressão arterial é ainda mais importante nas pessoas com apnéia. E aqui começa mais um problema. O indivíduo que ronca e interrompe a respiração, muitas vezes nem percebe o sufoco pelo qual passa enquanto dorme, já que com a apnéia ele não respira da maneira correta e o corpo acaba não conseguindo descansar como deveria.

Outros fatores de risco

"A pessoa com apnéia do sono apresenta maior variabilidade da pressão arterial, cujo aumento está ligado à lesão dos órgãos-alvo (coração, cérebro e rim)", afirma Artur Beltrame Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). A CPAP - pressão positiva contínua nas vias aéreas - é o tratamento mais eficaz e com maior comprovação científica para a síndrome das apnéias obstrutivas do sono. A terapia com o CPAP, aparelho colocado no nariz do paciente durante o sono, consiste basicamente em manter abertas as vias aéreas, tornando-as permeáveis.

"Ao reduzir o número de episódios apnéicos noturnos, o tratamento com a CPAP pode atenuar os mecanismos que levam à elevação aguda e crônica da pressão", destaca Ribeiro. Ou seja, o uso do CPAP reduz os níveis de pressão arterial em pacientes com apnéia, além de ser essencial também a perda de peso, a redução do consumo de álcool antes de dormir e adormecer em posições laterais.

 
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