Saúde

28/08/2008 - 17:53 (atualizada em 04/09/2008 00:02)

Síndrome metabólica pode levar à disfunção erétil

Principal forma de combater o mal é adotar hábitos de vida saudáveis

Júlia Ferraz

Aquela barriguinha saliente, com vários centímetros a mais, pode ser muito mais inconveniente para os homens do que apenas atrapalhar na hora da paquera. A circunferência dilatada da cintura, aliada a fatores de risco como colesterol alto, pode representar uma síndrome metabólica que oferece perigos à vida sexual masculina. De acordo com um estudo recente, homens que apresentam síndrome metabólica têm até três vezes mais chances de apresentar problemas de ereção.

Segundo o urologista Luiz Otávio Torres, da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, síndrome metabólica são as condições que alteram o metabolismo do corpo, o que gera problemas para o organismo. As principais características da síndrome são o acúmulo de gordura visceral, na barriga, aliado a dois dos seguintes fatores: pressão alta, diabetes e taxa de triglicérides ou colesterol alta no sangue.

Para os homens, o limite da cintura é de 94 centímetros. Caso ele apresente também algumas das condições citadas acima, a situação já fica preocupante. Fatores coadjuvantes como vida sedentária, fumar ou beber também agravam o problema.

Cuidado com as artérias
Uma das principais conseqüências da síndrome é a piora do estado das artérias. Segundo Torres, a agressão ao endotélio – camada que cobre as artérias – pode levar a uma arteriosclerose. Esse espessamento e endurecimento da parede arterial pode acontecer em qualquer lugar do corpo, alerta o médico. Se for no coração, pode provocar um enfarto; no cérebro, um AVC (acidente vascular cerebral). Caso aconteça na artéria do pênis, pode provocar impotência.

“Quando há a arteriosclerose, a artéria peniana perde a capacidade de relaxar. E a ereção é justamente causada pelo relaxamento da artéria e a entrada extra de sangue no pênis”, diz Torres. Ainda segundo o especialista, como a artéria do membro é pequena, qualquer problema pode interferir em seu funcionamento. Além disso, a falta de ereção pode indicar um problema cardiovascular futuro. “Homens com histórico de 10 anos de disfunção erétil tem incidência muito maior de doenças cardiovasculares”, conta o médico. É como se a impotência fosse um alerta para o problema nas artérias.

Prevenção
Para Torres, a grande vantagem desta condição é que é possível mudar os fatores e evitar novos problemas. Adotar hábitos de vida saudáveis como fazer exercícios regularmente, parar de fumar e beber e, dependendo do caso, emagrecer para perder a gordura acumulada no ventre, já fazem muita diferença. Cuidar dos outros fatores que geram a síndrome também é fundamental.

Mudar esses hábitos combate essas causas da impotência. O médico explica que caso o paciente já tenha desenvolvido algum problema de ereção, é necessário avaliar qual o caso e a gravidade do problema para determinar o tratamento. Hoje, há várias formas de tratar a doença, seja com medicamentos ou cirurgias. Se não for possível reverter a causa da impotência, o problema da ereção é garantido que será resolvido, afirma Torres.

 
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