Saúde

15/10/2008 - 11:01 (atualizada em 15/10/2008 11:10)

Intensidade da TPM está ligada à satisfação pessoal

Oscilações hormonais não explicam as mudanças emocionais mais intensas

Da Redação

Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirma o que a maioria das pessoas já presenciou no dia-a-dia: cerca de 80% das mulheres têm ou já tiveram TPM, a bem conhecida tensão pré-menstrual.

Os sintomas mais comuns são inchaço, dor nas mamas, hipersensibilidade emocional e irritabilidade. Às vezes, muita irritabilidade. Os hormônios fazem parte dessa história, pois o nível de progesterona diminui no final do ciclo menstrual e provoca muitas dessas sensações.

Mas o que os pesquisadores dizem é que é muito simplista jogar a culpa de toda esta oscilação emocional apenas nos hormônios. A BOA FORMA diz em uma matéria que é preciso também considerar os desajustes no trabalho, no casamento, na vida.

“A TPM não cria problemas, apenas potencializa os que já existem”, diz Nicole Plapler, psicanalista de São Paulo. Isso significa que o choro descontrolado ou uma grosseria lançada de repente só acontecem porque, além da dança hormonal, existiam outras coisas fora do lugar.

Por isso a TPM pode ser considerada um evento biopsicossocial. “Bio” representa o físico, “psico” a mente e “social” as relações. “Quando você está de férias na praia, a TPM tende a ser muito mais suave do que aquela que ocorre na véspera de uma prova importante ou no meio de uma crise conjugal”, diz Mara Pusch, psicóloga da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Verdade ou só desculpa?
Devido à fragilidade que esta fase do mês traz, algumas mulheres usam a TPM como alvará para qualquer tipo de excessos. “Tenho pacientes que culpam o ciclo menstrual o mês inteiro. Tirando os dias da menstruação, estão sempre de TPM, o que serve para justificar a explosão no trabalho, a briga com o marido e o bate-boca com a atendente do supermercado”, diz Mara.

“Perceba que aquela explosão não é algo externo, e sim uma faceta da sua personalidade, provavelmente menos conhecida, mas que surge no lugar e com as pessoas que dão a você essa licença”, explica Luiz Cuschnir, psiquiatra e psicanalista do Hospital das Clínicas de São Paulo e autor do livro “A Mulher e Seus Segredos – Desvendando a Alma Feminina”.

 
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