07/10/2008 - 13:18 (atualizada em 07/10/2008 13:30)
Aumento da população idosa vai obrigar Brasil a rever políticas de previdência, diz Ipea
Em 2035, a maior parte da população vai ter entre 50 e 54
Da Redação
O Brasil não vai mais ser conhecido como um país de jovens. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto de Economia Aplicada (Ipea), relativa ao ano de 2007, mostra que o crescimento da população pode fazer de nós um país de velhos a partir de 2030.
A pirâmide social brasileira está “engordando”, e começa a ficar parecida com o desenho conhecido como característico de países europeus. A base, formada por jovens, diminui, e o topo, representativo dos adultos, cresce. Esse fenômeno é explicado pela queda da natalidade em todas as camadas sociais brasileiras, aliada também à diminuição da mortalidade. Ou seja, há menos gente nascendo e menos gente morrendo.
Em 1992, a população menor de 15 anos representava 33,8% do total de brasileiros. Em 2007, esse índice caiu para 25,2%. Enquanto a proporção de jovens diminui, a de idosos aumenta.Os idosos respondiam por 7,9%, em 1992, e cresceram para 10,6%.
A Pnad mostra ainda que a fecundidade decresceu no Brasil, em todos os grupos sociais. Os brasileiros, dos pobres aos ricos, têm menos filhos. A pesquisa também confirma que quanto mais estuda uma mulher e quanto maior o seu salário, é menos provável que ela tenha filhos.
O fator que aparenta ter mais impacto sobre a quantidade de filhos é a renda. Quanto maior ela é, menor é o número de crianças por família. A gravidez na adolescência também diminuiu em todas as regiões do país. A quantidade de bebês nascidos vivos para cada 1000 adolescentes em 1992 era 91. Em 2007, a taxa caiu para 70 filhos nacidos vivos para cada 1000.
Velhos mais ricos
A pesquisa mostrou também que a maior parte dos idosos brasileiros depende do salário de aposentado. Cerca de 76% da população idosa, que representava15 milhões de pessoas em 2007, recebiam os benefícios da seguridade social. A ampliação da cobertura fez com que diminuísse o número de pobres entre os idosos. Na pesquisa, pessoas que residem em domicílios com renda domiciliar per capita menor ou igual a meio salário mínimo são consideradas pobres. O número caiu principalmente entre as mulheres: as idosas pobres eram 20,8% em 1992, e, em 2007, eram 12,7%. A proporção de homens idosos pobres caiu de 24,7% em 1992 para 13,8% em 2007.
Outro exemplo do envelhecimento do brasileiro é a demonstração do crescimento do número de idosos com 80 anos ou mais, de 1% para 1,4% da população, o que representa 1,6 milhão de pessoas.
Esse pequeno aumento representa o crescimento de uma demanda também por cuidados de longa duração e requer pagamento de benefícios da previdência e assistência por um período mais longo.
O impacto do envelhecimento da população deve atingir o estado, o mercado e as famílias. Por isso, políticas públicas voltadas para idosos exercem um papel fundamental para o Brasil, de acordo com os resultados apresentados pela Pnad. As apontadas como mais importantes são o investimento em previdência e assistência social, saúde e condições de habitação, infraestrutura e acessibilidade.