17/07/2008 - 08:45 (atualizada em 04/09/2008 00:00)
"Uma nova catástrofe aérea pode acontecer a qualquer momento"
Para o presidente licenciado da Federação dos Trabalhadores de Transportes Aéreos, situação aérea é parecida com a de um ano atrás
Amanda Dias Almeida
Um ano após o desastre com o Airbus A320 da TAM, que se chocou contra um galpão da empresa próximo à cabeceira do Aeroporto de Congonhas e deixou 199 mortos, a realidade dos aeroportos brasileiros pouco mudou. Segundo o presidente licenciado da Federação Nacional dos Trabalhadores de Transportes Aéreos, Uébio José da Silva, algumas atitudes emergenciais foram tomadas no momento da comoção, mas não houve grandes mudanças estruturais.
"As medidas foram tímidas", afirma Uébio. Entre as ações que devem ser tomadas a curto prazo estão, de acordo com o presidente da Federação, a construção de uma pista de escape e a implantação de redes de contenção em Congonhas, o combate aos vôos piratas, investimentos em infra-estrutura e fiscalização das empresas que operam nos aeroportos do país. Na situação atual, Uébio acredita que "uma nova catástrofe pode acontecer a qualquer momento".
A Infraero afirma que o aeroporto de Congonhas respeita o limite do tamanho da pista e que não existe nenhuma determinação para que ela seja ampliada. Uma área de escape já foi feita. Para isso, encolheu-se em 150 metros a cabeceira. A pista, que era considerada curta, ficou menor. Quando questionada sobre a segurança dos pousos e decolagens nesta situação, a Infraero diz que eles não se tornaram mais perigosos. "Quando uma pista é reduzida de tamanho, aquela nova metragem é inserida nos cálculos das companhias aéreas, e o avião é configurado para necessitar apenas daquele espaço para as operações", afirma a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.
Sobre a catástrofe do Airbus A320, Uébio fala que foi um acidente anunciado. Segundo ele, em 2001 foi feito um relatório que já apontava a necessidade de uma área de escape no aeroporto de Congonhas. "Hoje ainda temos aeroportos sem escoamento de água", diz.
Uébio defende também a regulamentação profissional dos controladores de vôo e a adequação profissional dos trabalhadores da Aeronáutica. Personagens centrais do episódio que ficou conhecido como "Apagão Aéreo", os controladores deixaram de atuar pela "Operação Padrão", que é a redução das partidas e chegadas dos aviões a um ritmo considerado ideal pela categoria. O número de controladores, que aumentou de 2700 para 3000, ainda não é suficiente. "No meu entender, temos um déficit de 500 controladores", diz Uébio.
Hoje, os principais aeroportos do país, Congonhas, Guarulhos e Brasília, operam com atrasos considerados toleráveis. De acordo com a Infraero, desde dezembro de 2007 a tendência é de queda nos atrasos em aeroportos que administra, entre eles Congonhas. O Ministério da Defesa diz que sua área jurídica está finalizando a proposta de um projeto de lei que criará a compensação dos passageiros por esses atrasos.