Música
 
 

Na trilha sonora dos nossos dias
Depois de levar clássicos às bancas de revista, a Abril se firma como campeã musical dos internautas.


MPB COM PESQUISA
O jornaleiro Pedro Favalle, na banca com seu filho, em 1964: vendendo Noel Rosa. Em sua pesquisa, a série História da Música Popular Brasileira revelou para Pixinguinha uma música sua de que ele não se lembrava.

Usina do Som, da Abril, é o maior site de entretenimento da Internet no Brasil. Com uma média de 1,4 milhão de páginas visitadas por dia e um acervo de 65 mil músicas digitalizadas, permite ao usuário "fazer a sua própria estação", selecionando os gêneros, compositores e intérpretes de sua preferência. O número de estações pessoais cadastradas chegou a 350 mil em dois meses e meio, e a tecnologia desse site interativo está sendo exportada para outros países da América Latina. "Num futuro próximo, a Usina do Som fará a comercialização de música digital", adianta Victor Civita Neto, o Titti, diretor de Criação da Abril Produções. Além de CDs, o site venderá ingressos para shows, produtos de bandas e artistas, e eletroeletrônicos, de acordo com o perfil do internauta.
A história da Abril está estreitamente ligada à vida musical brasileira desde os anos 60, quando a empresa levou às bancas coleções de música brasileira, de ópera e de grandes clássicos, que reuniam fascículo e disco. Os 48 fascículos de História da Música Popular Brasileira, vendidos em banca a preços populares, reuniam texto e as principais obras dos maiores compositores brasileiros, como Noel Rosa, Ary Barroso, Herivelto Martins, Braguinha e Chiquinha Gonzaga. Foi um imenso trabalho de pesquisa. O fascículo dedicado a Pixinguinha, por exemplo, incluía a gravação de Samba de Negro. "Pixinguinha contestou, dizendo que a música não era dele. Só se convenceu quando lhe apresentamos o número da matriz da gravação que comprovava sua autoria", lembra José Lino Grünewald, um dos assessores do projeto.
No início dos anos 70, a Abril levou às bancas clássicos consagrados como Rossini, Verdi e Puccini, e os melhores momentos de óperas como La Bohème, Aída e O Barbeiro de Sevilha. "As vendas ultrapassavam os 30 mil exemplares", lembra o maestro Walter Lourenção, que participou do projeto. Antes vieram Bach, Liszt, Vivaldi e Mozart, o campeão de vendas. Só não foi possível incluir Villa-Lobos. "Os direitos estavam com uma instituição em Paris que condicionava a divulgação de sua obra ao pagamento de direitos autorais devidos a outros músicos", lamenta Lourenção.
Em 1998, a Abril criou a gravadora Abril Music e passou a atuar em produção, promoção, vendas e distribuição de CDs. Em um ano e meio, tinha 5% do mercado nacional. "Vamos chegar a 7% no ano 2000", prevê Giancarlo Civita, vice-presidente de Entretenimento.
Este ano, a Abril começou a realizar o maior documentário já produzido sobre a música nacional, o projeto Música do Brasil, que reúne, em quinze programas de TV, em livros e em CDs, as mais diversas manifestações musicais - desde música para santos até música de enterro. Os programas estão sendo veiculados pela MTV e pela TV Cultura.

Gilberto Gil e Toninho, da banda Dragões do Forró, no projeto Música do Brasil

Frank Aguiar, Maurício Manieri, Los Hermanos e Harmonia do Samba: sucessos lançados pela gravadora Abril Music


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