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Fotonovela,
moda, beleza e trabalho
Acompanhando
suas transformações, a Abril
fala cada vez melhor com as mulheres.
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Carmen
da Silva, em 1976: revolução na imprensa feminina
com A Arte de Ser Mulher |
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MODA,
CORTE E COSTURA
Nascida em julho de 1959, Manequim é a primeira revista
de moda da Abril. No começo, trazia fotos e modelos
da Europa para as leitoras fazerem aqui (até casaco
de pele saiu na capa da revista!). Hoje, o Grupo Manequim
é responsável pela publicação
de sete títulos regulares - entre eles Faça
e Venda e Ponto Cruz - e sete especiais. |
Editora Abril detectou e traduziu em revistas as principais transformações
vividas pela mulher no Brasil nas últimas cinco décadas.
O fato de que Capricho - o primeiro título feminino lançado
pela editora, em 1952 - oferecesse fotonovelas para uma leitora
que só podia viver seus desejos na fantasia, e de que o
mais novo sucesso da Abril nesse setor seja Viva Mais!, que chegou
ao mundo inexplorado da leitora de baixa renda exibindo o slogan
"para a mulher que quer vencer", revela a extensão dessas
mudanças. Índices espetaculares de crescimento demonstram
que a Abril fala cada vez melhor com as mulheres. A vendagem passou
de 12 milhões de exemplares em 1992 para 24 milhões
em 1996, e para 76 milhões em 2000, enquanto o número
de títulos pulou de oito para 18, nos últimos cinco
anos.
Capricho publicava inicialmente fotonovelas italianas. As regras
de edição eram simples: tirar as cenas de sexo,
cortar assassinatos, evitar tudo que ofendesse a moral conservadora
da época. As vendas cresceram quando a revista começou
a oferecer histórias inteiras, e não mais em capítulos,
e quando trocou o formato de gibi pelo tamanho grande. Tinha chegado
à dose que a leitora queria.
Claudia, a revista que a Abril lançou em 1961 com o nome
que Victor e Sylvana Civita queriam dar a uma filha, focalizava
a mulher no território da casa. "A leitora-padrão
que a gente tinha em mente naquele tempo, até o seu Victor
brincava muito, era a dona Mariazinha de Botucatu, uma senhora
interessada em casa, marido e filhos", lembra Thomaz Souto Corrêa,
vice-presidente da Abril, ex-redator-chefe e, mais tarde, diretor
da revista. O mundo doméstico ganhara um brilho novo no
momento em que chegavam ao mercado geladeiras, televisores, sabões
que lavavam mais branco e chocolates solúveis. Em 1965,
uma carta enviada à redação por uma obscura
psicóloga de Niterói chamada Carmen da Silva dava
uma notícia inquietante sobre as jovens donas-de-casa:
elas estavam explodindo de angústia e frustração.
Carmen queria falar sobre isso e lançou a seção
"A Arte de Ser Mulher", que tornou Claudia um dos espaços
mais arejados do feminismo, ao denunciar a rede ora ostensiva
ora invisível da submissão. Para manter sua liderança
no setor, Claudia teria de fazer sucessivas adaptações.
"Era a revista de uma mulher casada e santa, e nos anos 90 esse
não era mais o sonho de ninguém", diz a diretora
de redação, Célia Pardi.
Outro salto na mentalidade feminina foi marcado pelo lançamento
de Nova, edição brasileira da americana Cosmopolitan,
em 1973. Como insistia a primeira diretora de redação,
Fátima Ali, a um mercado publicitário desconfiado,
havia uma mulher interessada num aprimoramento pessoal. Foi preciso
também mostrar ao público que ser sedutora e ter
carreira não é a mesma coisa que querer seduzir
o chefe. "Desde o século XIX, a revista feminina só
enxergava a mulher pelo mundo à sua volta: a casa, o marido,
os filhos. A partir de Cosmopolitan, passou a se dirigir à
pessoa da leitora", lembra Fátima, hoje diretora da Fundação
Victor Civita. Adolescentes com direito a projetos de vida real
e até a sexo mostraram-se um público promissor e
ganharam em 1981 uma Capricho renovada, depois que as telenovelas
corroeram o prestígio das revistas de fotonovelas. Nos
anos 80 e 90, assuntos que conviviam nas mesmas revistas repartiram-se,
dando origem a novos títulos, que exploraram os interesses
e o crescente poder de consumo da mulher
de classe média. As leitoras exigiam muito mais informação
e estilo, como sinalizou a chegada de Elle.
As revistas femininas da Abril inauguraram muitas técnicas
hoje consideradas indispensáveis à qualidade jornalística.
Boa parte delas nos anos 60, em Claudia. Surgiu ali, por exemplo,
a produção de reportagens de moda que substituíram
a então inescapável foto estrangeira, publicada
para inspirar uma leitora que mandava fazer suas roupas na costureira.
Sob a direção do jornalista Luís Carta, contratado
em 1959 para cuidar da qualidade editorial das publicações
da Abril, profissionais como o fotógrafo Otto Stupakoff
e o diretor de arte Attílio Baschera mostraram que o resultado
podia ser informativo e de boa qualidade. A primeira cozinha experimental
de alto padrão da imprensa brasileira foi criada por Claudia
em 1963. Testava produtos alimentícios, eletrodomésticos
e receitas. A produtora Olga Krell, arquiteta convertida ao jornalismo,
foi estagiar nas revistas americanas Good House Keeping, McCalls
e Better Homes & Gardens . "Victor Civita acreditava que a
melhor maneira de aprender é ver alguém que sabe
fazer", diz Olga. Mais tarde ela dirigiu o Estúdio Abril,
onde se criaram técnicas de fotografar culinária,
decoração e beleza, entre outras especialidades.
"No começo a gente pegava boas revistas estrangeiras, olhava
as angulações, a iluminação, as tendências",
lembra Olga. "Visitávamos feiras internacionais de móveis
e de artesanato em busca do que ia funcionar no Brasil."
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Micheline
Frank (junto à janela) e Olga Krell (de vestido listado)
na redação de Claudia, em 1962 |
Nas
últimas décadas, as femininas contribuíram
para sofisticar as técnicas de edição ao
explorar melhor do que nunca a associação de texto
e imagem que diferencia a revista, e ao aumentar a clareza e a
legibilidade com atenção ao detalhe e ao conjunto.
Além disso, começaram a observar mais sistematicamente
a percepção da leitora, uma prática aperfeiçoada
pelas atuais técnicas de pesquisa.
Em 1999, Viva Mais!, um projeto destinado a criar uma revista
popular e de baixo custo reutilizando o material produzido por
outras revistas da Abril, chegou a brasileiras que nunca tinham
lido revistas e alcançou picos de venda de mais de 600
mil exemplares semanais. Atraída pelo preço, essa
leitora estreante começou a freqüentar as bancas,
e a redação passou a trabalhar cada vez mais focada
nela. "É uma mulher que quer levantar a cabeça acima
da linha da pobreza e do anonimato", diz Ricardo Setti, diretor
editorial das Femininas. "Ela pode ser excluída do ponto
de vista econômico, mas não da informação.
É articulada e aproveita todas as oportunidades de se manifestar",
descreve Claudia Giudice, uma das diretoras de redação.
Não é por acaso que sua primeira oportunidade de
tornar-se leitora foi proporcionada pela Abril.
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| Em
agosto de 1953, "a revista da moça moderna" trazia
a fotonovela completa Corações Enamorados |
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| A
primeira cozinha experimental e os primeiros ensaios de moda,
em Claudia |
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Jantar
comemorativo da venda recorde de Capricho em 1956: 506 mil
exemplares
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Claudia
Lessa
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Na
Cozinha Experimental de Claudia, em 1973, Edith Eisler (de
óculos) serve suas convidadas
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Mais
revistas, mais leitoras
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