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Revitalização do Centro
| Como se fêz o Viaduto
do Chá |
JÚLIA BANDEIRA
Espaço privilegiado de cultura,
história e desenvolvimento urbano, o Centro de São Paulo
voltou a atrair investimentos da iniciativa privada e do poder público.
Ali circulam diariamente 2,2 milhões de pessoas e a população
é de 70 mil residentes. Em 1991, foi criada, por entidades e empresas
sediadas ou vinculadas no Centro de São Paulo, a associação
Viva o Centro. O objetivo é recuperar, desenvolver e transformar
a área num grande, forte e eficiente centro metropolitano. Sem
fins lucrativos, a associação é mantida por contribuições
regulares de seus associados e mantenedores, venda de produtos e serviços
e doações.
Um dos sinais de que estes e outros esforços começam a dar
resultado é o crescimento da rede hoteleira. Em 2003, o Mercure
Downtown se instalou na rua Araújo, local onde havia uma antiga
estação de geração de eletricidade para os
bondes. O hotel é o primeiro lançamento de uma rede internacional
de hotéis no centro em três décadas. Com padrão
quatro estrelas, tem 260 apartamentos em treze andares. O Holiday Inn
Select Jaraguá também já voltou a funcionar. O prédio
da década de 50, onde funcionara o jornal O Estado de S.Paulo
e o antigo Hotel Jaraguá, já recebeu personalidades como
Ella Fitzgerald e Alain Delon. Nos últimos anos, foram reformados
o Hotel Normandie, na Avenida Ipiranga, o Bourbon, na Avenida Vieira de
Carvalho, e o San Raphael, no Largo do Arouche.
Assim, a área que, há poucos anos parecia condenada ao abandono,
volta a se iluminar. Veja o que foi e o que está sendo feito:
As secretarias municipais e estaduais já se mudaram ou estão
de mudança para edifícios antigos. O governo comprou dois
prédios nas ruas XV de Novembro e Boa Vista onde trabalharão
3 mil funcionários. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
também terá um gabinete para despachos semanais. A prefeita
da cidade, Marta Suplicy, pretende se instalar no antigo Edifício
Matarazzo, o Banespinha, na Praça do Patriarca.
Em 2002, a Universidade Anhembi Morumbi se instalou no prédio
que antes pertencia ao BankBoston, na Rua Líbero Badaró.
O Instituto Fernando Henrique Cardoso, criado para preservar os arquivos
do ex-presidente, será instalado nos salões que pertenciam
ao Automóvel Clube no edifício CBI Esplanada.
A Estação da Luz será o principal ponto de encontro
de transporte público da cidade, interligando quatro linhas de
trem com o metrô. Restaurada, a estação vai abrigar
um museu dedicado à língua portuguesa.
O antigo prédio da Mesbla na Rua 24 de Maio será transformado
em mais um dos centros culturais do Sesc.
Inaugurado em 2001, em um prédio do início do século
passado, o Centro Cultural Banco do Brasil já se estabeleceu como
um dos pólos culturais da cidade.
Depois de uma reforma que levou dois anos e meio e custou 19,5 milhões
de reais, a Catedral da Sé recuperou o brilho em 2002. Em setembro
de 2003 foram instalados novos holofotes.
Reaberta em 1999, a Estação Júlio Prestes abriga
a Sala São Paulo. Localizada no hall da antiga estação,
recebe cerca de 120 mil espectadores por ano. Na vizinhança, o
prédio do antigo Dops foi restaurado.
Em 2002, a Praça do Patriarca deixou de ser terminal de ônibus
e recebeu uma cobertura metálica.
O Theatro Municipal agora conta com iluminação cenográfica
e lâmpadas coloridas. A Praça Ramos de Azevedo também
foi iluminada e reurbanizada.
Os postes receberam pintura, e as lâmpadas de mercúrio
foram substituídas pelas de sódio, mais potentes. Os novos
globos, com refletores internos, multiplicaram o alcance da luz. Na Rua
Xavier de Toledo há novas calçadas, de ladrilho hidráulico.
As estatísticas mostram que delitos como homicídios
e assaltos a mão armada são raros na área central.
Predominam os furtos, principalmente de celulares e carteiras, sem uso
de violência.
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