Os crimes que chocaram São Paulo
| O famoso "processo José Pinto de Almeida" |

Crime da rua Cuba
Véspera do Natal de 1988. O casal Jorge Toufic Bouchabki e Maria Cecília Delmanto fora assassinado com quatro tiros à queima-roupa. Os dois estavam deitados na própria cama, numa bela casa na Rua Cuba, no bairro Jardim América. O único suspeito até hoje é Jorge Delmanto Bouchabki, o Jorginho, filho mais velho do casal. Embora a porta do quarto estivesse trancada por dentro, a hipótese de homicídio seguido de suicídio foi descartada. A arma, um revólver calibre 32, nunca apareceu, e a investigação policial revelou que os corpos foram arrumados na cama, alterando a cena do crime. O caso, logo batizado de "crime da Rua Cuba", transformou-se em um enigma, entrando para a história da crônica policial paulistana. Jorginho foi inocentado por falta de provas.

Suzane Von Richthofen
Ela era jovem, bonita e rica. Estudava direito numa conceituada faculdade paulista. Porém, Suzane Von Richthofen foi protagonista de mais um crime que estarreceu o país na noite de 31 de outubro de 2002. Junto com o namorado e o irmão dele, Daniel e Cristian Cravinhos, a menina confessou ter planejado a morte dos pais, o engenheiro Manfred Albert e a psiquiatra Marísia Von Richthofen. O casal foi golpeado com barras de ferro e asfixiado enquanto dormia. O crime espantou não só pela brutalidade, mas pela frieza da menina. Foi Suzane quem abriu as portas da casa aos irmãos Cravinho na noite do crime e cuidou de detalhes para praticar a ação, como desligar alarmes, limpar a cena do crime, esconder provas, simular o roubo de R$ 8 000, US$ 5 000 e 420 euros, além de retirar de casa o irmão, Andreas. Os três vão a júri popular e serão julgados por duplo homicídio triplamente qualificado, com penas previstas entre 24 anos e 60 anos em regime fechado. Suzane afirmou que matou os pais por amor a Daniel, já que Manfred e Marisa se opunham ao namoro.

Pimenta Neves e Sandra Gomide
Antônio Marcos Pimenta Neves, diretor de redação do jornal O Estado de S.Paulo, matou a ex-namorada Sandra Gomide com dois tiros, um nas costas e outro, à queima-roupa, no ouvido. A tragédia aconteceu em 20 de agosto de 2002, em um haras em Ibiúna, interior de São Paulo, onde os dois cavalgavam. O namoro durou quatro anos. Antes do crime, Pimenta tentara a reconciliação. Sem sucesso, demitiu Sandra do jornal, telefonava a amigos para que ela não conseguisse emprego e mandava motoristas seguirem-na. A notícia de que Sandra estaria se envolvendo com outro homem foi o ponto final para que Pimenta Neves cometesse o crime. Réu confesso, ficou preso até março de 2001 e aguarda julgamento em liberdade. Pimenta vai a júri por homicídio duplamente qualificado.

O atirador do Shopping Morumbi
Quarta-feira à noite. Na sala 5 de cinema do Morumbi Shopping, mais uma sessão do filme Clube da Luta. Porém, as 28 pessoas que estavam na platéia esperando ver Brad Pitt presenciaram um show de horrores fora da tela. O estudante de medicina Mateus da Costa Meira, então com 24 anos, entrou na sala e descarregou todas as balas de sua submetralhadora na platéia, matando três pessoas e ferindo cinco. Preso minutos depois, confessou que há meses vinha pensando em cometer um crime assim. Em seu apartamento, a polícia encontrou mais de 300 cápsulas de submetralhadora, papelotes de cocaína e vestígios de crack. O estudante confirmou que usava drogas constantemente e que havia deixado de tomar o medicamento Zyprexa, usado para diminuir sintomas de delírios, alucinações, irritabilidade e agressividade. O crime ocorreu em novembro de 1999. Em julho de 2002, a Câmara Criminal, responsável pelo caso, alterou a acusação e retirou do processo os agravantes de motivo torpe e emprego de crueldade. Pouco depois, a Justiça concedeu a Meira o direito de voltar à Faculdade de Medicina da Santa Casa para concluir o estágio de oftalmologia e receber o diploma no final do ano.




Os números da violência urbana
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