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Alguns escritores paulistanos
| 400 anos de literatuera
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JÚLIA BANDEIRA
Antônio Cândido
Nascido no Rio de Janeiro, em 1918, Antonio Candido de Mello e Sousa mora
em São Paulo desde 1936. Um dos mais importantes críticos
de literatura e cultura brasileira, lecionou na Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, no
Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada, do qual
foi um dos fundadores. Desde a década de 1940 atua em movimentos
e partidos de esquerda, sendo que em 1980 foi um dos fundadores do Partido
dos Trabalhadores.
Principais obras: Brigada Ligeira
(1945), Ficção e Confissão (1956), Formação
da Literatura Brasileira (1959), O Observador Literário
(1959), Os Parceiros do Rio Bonito (1964), Tese e Antítese
(1964), Literatura e Sociedade (1965), Vários Escritos
(1970), Na Sala de Aula (1985), O Discurso e a Cidade
(1993).
Augusto de Campos
Nasceu em São Paulo em 1931. Poeta fundador do movimento concretista,
utiliza em sua poesia recursos visuais, acústicos, de movimento
e de disposição espacial dos versos. Formou-se em Direito
na Universidade de São Paulo em 1953, mesmo ano em que compôs
a série de poemas em cores Poetamenos, primeira manifestação
da poesia concreta brasileira. Na época, ele já integrava
o Grupo Noigandres, do qual fora fundador, com Décio Pignatari
e Haroldo de Campos. Nos anos seguintes, publicou estudos críticos
e teóricos, além de traduções e poesia. Suas
obras poéticas mais recentes são Despoesia e Poema Avulso
(1994).
Principais obras: O Rei Menos
o Reino (1951), Poetamenos (1953), Equivocábulos
(1970), Linguaviagem (1970), Colidouescapo (1971), Caixa
Preta (1975), Despoesia (1994), Poema Avulso (1994).
Décio
Pignatari
Nasceu em Jundiaí em 1927. Poeta, semiólogo e ensaísta,
Pignatari foi um dos criadores do concretismo, movimento literário
que fundou em 1956 ao lado dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos.
Foi um dos criadores da editora e da revista Invenção,
lançada em 1962 como veículo da poesia concreta. Em 1964,
lançou o Manifesto do Poema-Código ou Semiótico,
com Luiz Angelo Pinto. Foi membro-fundador da Associação
Internacional de Semiótica, em Paris. Nas décadas de 1980
e 1990, colaborou em vários periódicos, entre os quais a
Folha de S.Paulo. Foi professor da faculdade de Arquitetura da
Universidade de São Paulo e da pós-graduação
da PUC-SP.
Principais obras: O Carrossel
(1950), Exercício Findo (1958), Poesia pois é
Poesia (1977); Poesia pois é Poesia, 1950/1975. Poetc,
1976/1986 (1986), Letras, Artes, Mídia (1995), Podbre
Brasil (1988), Cultura Pós-Nacionalista (1998).
Haroldo de Campos
Nasceu em São Paulo em 1929. Formou-se em Direito pela Universidade
de São Paulo em 1952, e no mesmo ano fundou, com o irmão
Augusto de Campos e Décio Pignatari, o Grupo Noigandres de poesia
concretista. Trabalhou como tradutor, crítico e teórico
literário e foi professor no curso de pós-graduação
em Comunicação e Semiótica da Literatura da PUC-SP.
Em 1992, recebeu o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária
do Ano e, em 1999, o Jabuti de poesia, com o livro Crisantempo: No
Espaço Curvo Nasce Um.
Principais obras: Auto do Possesso
(1950), Servidão de Passagem (1962), Xadrez de Estrelas
(1976), Galáxias (1984), A Educação nos
Cinco Sentidos (1985), Finismundo (1990), Os Melhores Poemas
(1992), Crisantempo (1998), A Máquina do Mundo Repensada
(2000).
Hilda Hilst
Nasceu em Jaú em 1930. Formada em direito pela Universidade de
São Paulo, a poeta, dramaturga e ficcionista, lançou seu
primeiro livro de poesia, Presságio, em 1950. Seu arquivo
pessoal foi comprado pelo Instituto de Estudos de Linguagem (IEL), da
Unicamp, em 1995, e aberto a pesquisadores. Alguns de seus textos foram
traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão.
Recebeu diversos prêmios literários, entre eles dois Jabuti:
o primeiro em 1984, pelo livro de poemas Cantares de Perda e Predileção,
e o segundo em 1993, com o conto Rútilo Nada.
Principais obras: Baladas de Alzira
(1951), Roteiro do Silêncio (1959), Sete Cantos do Poeta
para o Anjo (1962), Serigrafias (1970), Da Morte. Odes Mínimas
(1980), Poemas Malditos (1984), Bufólicas (1992),
Cantares do Sem Nome e de Partidas (1995), Do Amor (1999).
Lígia Fagundes
Telles
Advogada, contista e romancista, nasceu em São Paulo em 1923. Começou
a escrever ainda adolescente. Em 1949, seu livro de contos O Cacto
Vermelho recebeu o Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira
de Letras. Em 1982, foi eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista
de Letras e, em 1985, para ocupar a cadeira 16 da Academia Brasileira
de Letras, na vaga deixada por Pedro Calmon. Lígia recebeu diversos
prêmios entre eles Prêmio do Instituto Nacional do Livro (1958);
Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (1965); Prêmio
Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras (1973); Prêmio Ficção,
da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1974
e 1980); Prêmio Jabuti em 1974; Prêmio II Bienal Nestlé
de Literatura Brasileira Contos em 1984, e Prêmio Pedro Nava, o
Melhor Livro do Ano em 1989.
Principais obras: Ciranda de Pedra,
romance (1954); Histórias do Desencontro, contos (1958);
Verão no Aquário, romance (1963); Histórias
Escolhidas, contos (1964); O Jardim Selvagem, contos (1965);
Antes do Baile Verde, contos (1970); As Meninas (1973);
Seminário dos Ratos, contos (1977); Filhos Pródigos,
contos (1978); A Disciplina do Amor, fragmentos (1980); Mistérios,
contos (1981); As Horas Nuas, romance (1989); A Estrutura da
Bolha de Sabão, contos (1991); A Noite Escura e Mais Eu,
contos (1995).
Marcos Rey
Nasceu em São Paulo em 1925 com o nome de Edmundo Donato. Atuou
como jornalista, cronista, redator de rádio e TV, publicitário
e roteirista de cinema. Membro da Academia Paulista de Letras, fez de
São Paulo personagem da maioria de seus contos e romances, retratando
tipos tradicionais, estranhos e marginalizados. O suspense presente em
inusitadas situações era sua marca registrada. Especializado
também em literatura juvenil, foi roteirista dos programas Vila
Sésamo e Sítio do Pica-Pau Amarelo, além
de radionovelas para a extinta Rádio Excelsior. Em 1992, passou
a escrever crônicas quinzenais para a revista Veja São Paulo.
Morreu em 1999, aos 74 anos e teve suas cinzas espalhadas pela cidade.
Principais obras: O Enterro da
Cafetina (1967), Memórias de um Gigolô (1968),
O Pêndulo da Noite (1977), Malditos Paulistas (1980),
O Roteirista Profissional (1981), Ópera de Sabão,
O Mistério do Cinco Estrelas (1981), O Rapto do Garoto
de Ouro (1982), Sozinha no Mundo (1984), Um Rosto no Computador
(1992), O Último Mamífero do Martinelli (1993), O
Coração Roubado e Outras Crônicas (1996), Fantoches
(1998).
Ignácio de Loyola Brandão
Nasceu 1936, em Araraquara, interior de São Paulo. Veio para a
capital aos 21 anos e logo começou a trabalhar no jornal Última
Hora. Seu primeiro livro, Depois do Sol, foi publicado em 1965.
No ano seguinte, entrou para a equipe da Editora Abril, onde atuou
nas revistas Realidade e Claudia. Em 1974, lançou
na Itália o romance Zero, sua obra mais conhecida, censurada
pelo regime militar. O livro foi liberado somente em 1979. Passou a se
dedicar à literatura e só retornou às redações
em 1990, quando assumiu a direção da revista Vogue
e passou a escrever crônicas para os principais jornais da capital.
Principais obras: Depois do Sol
(1965), Bebel que a Cidade Comeu (1968), Zero (1975), Dentes
ao Sol (1976), Cadeiras Proibidas (1976), Cuba de Fidel:
Viagem à Ilha Proibida (1978), Não Verás País
Nenhum (1981), O Verde Violentou o Muro (1984), O Ganhador
(1987), Os Melhores Contos (1993), Veia Bailarina (1997).
Lourenço Carlos Diaféria
Nasceu em São Paulo 1933. Trabalhou como jornalista, cronista,
contista e autor de histórias infantis. Em 1977, trabalhando como
cronista da Folha de S.Paulo foi preso e processado com base na
Lei de Segurança Nacional pela autoria da crônica Herói
Morto Nós, publicada no jornal. O texto foi considerado
ofensivo às Forças Armadas. Depois de três anos, o
cronista foi absolvido. Criado no bairro do Brás, e profundamente
identificado com a cidade, tem nas figuras humanas, na vida da metrópole
e na realidade urbana o principal assunto de seus textos.
Principais obras: Um Gato na Terra
do Tamborim (1976), Circo dos Cavalões (1978), A
Morte sem Colete (1983), A Longa Busca da Comodidade (1988),
O Invisível Cavalo Voador (1990), Papéis Íntimos
de um Ex-boy Assumido (1994), O Imitador de Gato (2000).
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