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Antonio
Ermírio de Moraes Nacionalista, conservador, cauteloso. Esses são alguns adjetivos usados normalmente para descrever o empresário Antonio Ermírio de Moraes, do conselho de administração do Grupo Votorantim. O executivo é a terceira geração que comanda o grupo criado por seu avô, o imigrante português Antônio Pereira Ignácio, e ampliado nas décadas seguintes por seu pai, o senador José Ermírio de Moraes. Hoje, os 27 bilhões de reais de ativos do grupo registrados em 2002 seriam inimagináveis quando o avô fundou a tecelagem em Sorocaba. A sede da empresa fica no centro da capital paulista, em um prédio
com vista para o Theatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo.
É neste local que Antonio Ermírio, aos 75 anos, dá
expediente diariamente. O grupo emprega 25 mil pessoas. Mas é Antonio
que comanda a transição do grupo para as novas gerações. O Grupo Votorantim, eleito por EXAME como o melhor em 30 anos do anuário Melhores e Maiores, atua nas áreas de cimento, celulose, papel, alumínio, zinco, níquel, aços longos, filmes de polipropileno biorientado, especialidades químicas e suco de laranja. Tem até um banco que faz parte do conglomerado, mas Ermírio costuma brincar que a instituição só foi criada "para não pagar os juros cobrados pelo mercado e estabelecidos pelo Banco Central". O empresário transformou o grupo em multinacional, com a aquisição de uma fábrica de alumínio no Canadá. Este segmento da economia merece suas atenções em 100% do tempo. Ele cuida do dia-a-dia da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que ainda está sob seu comando direto. Ao mesmo tempo que lida com matérias-primas, Ermírio deu o aval para a criação da VotorantimVentures, a caçula das empresas do grupo criada há quase quatro anos. A Ventures é um fundo de investimento com 300 milhões de dólares para aplicar em áreas tão diversas como biotecnologia, bioinformática, distribuição de MRO, serviços de datacenter e de call center, comércio eletrônico e biodiversidade. "É importante abrir uma nova vereda para poder crescer mais", afirmou ele à revista EXAME. "Mas, se o resultado não for satisfatório, não é nada que vá machucar o grupo." E completou: "É uma semente que estamos plantando", diz Antonio Ermírio. "É impossível saber tudo pelos livros. Temos de arriscar alguma coisa." Sobre a cidade de São Paulo, o empresário afirmou à
EXAME no final de 2003: "São Paulo tem o espírito
de luta e conquista dos antigos bandeirantes. É desbravadora. É
uma cidade que valoriza o trabalho e não quer nada de graça.
Recebe gente de todas as partes do Brasil e do mundo, que se envolve nesse
movimento e se orgulha do que faz. Se alguém não produz
nada, fica envergonhado. O que precisa melhorar? O trânsito nas
ruas. Quanto ao futuro da indústria de São Paulo, ele está
na tecnologia. São atividades que não poluem e ocupam menos
espaço. Espero que São Paulo seja o cérebro da nação".
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