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São
Paulo e o início da indústria de tecidos de algodão
F. NARDY FILHO
Em carta régia de 11 de Maio de 1813 o Príncipe
Regente D. João nomeia o mestre-tecelão Tomaz Rodrigues para instruir os
tecelões de S. Paulo, no intuito de incrementar aqui, em S. Paulo, a manufatura
de tecidos de algodão. Em junho dêsse mesmo ano Tomaz Rodrigues chega a
S. Paulo trazendo "16 pares de cardas de cardar algodão, 9 rocas, 10 pontos
de lançadeiras, 18 carrinhos de latão torneados para lançadeiras, 200 cardas
de Erva, 9 libras de corda de linho para armação dos teares e 12 escovas".
Sob os auspícios da Real junta do Comércio e auxiliado financeiramente por
João Marcos Vieira, monta Tomaz Rodrigues os seus teares e inicia o seu
trabalho de mestre-tecelão. Porém, não foi feliz, pois em junho de 1820
apresenta-se a El-Rei mostrando os motivos pelos quais essa fábrica não
havia prosperado e solicitava ajuda do govêrno. Recebendo El-Rei essa informação
ordena a Oyenhaussen, capitão-general governador de S. Paulo para que "tome
debaixo de suas especiais vistas e dê as providências para que não se feche
aquela fábrica".
Porém, nada valeu o interêsse demonstrado por El-Rei nem as providências
dadas pelo capitão-general Oyenhaussen - a fábrica montada por Tomaz Rodrigues
fechou suas portas.
Eram êsses teares do mestre-tecelão Tomaz Rdrigues muito rudimentares, movidos
a braço, produziam um pano grosseiro, imperfeito e assim de má qualidade.
Mais tarde, em 1852, o comendador Manuel Lopes de Oliveira funda em Sorocaba
uma pequena fábrica de tecidos de algodão, a qual, segundo informação prestada
pela Câmara daquela cidade ao Presidente da Província, em data de 12 de
Janeiro de 1854, sòmente funcionou por muito pouco tempo, sendo obrigada
a fechar suas portas "por falta de pessoal capaz de dirigí-la".
Em Novembro de 1869 é inaugurada na cidade de Itú a Fábrica S. Luiz: podemos,
pois, afirmar com tôda segurança, ser a Fábrica S. Luiz, de Itú, a primeira
fábrica de tecidos, movida a vapor, fundada em S. Paulo, e que, uma vez
inaugurada, vem, desde o seu início, funcionando sem interrupção, procurando
cada vez mais se desenvolver, adquirindo os maquinários mais aperfeiçoados;
podemos, pois, asseverar ser a Fábrica S. Luiz, de Itú, a pioneira das fábricas
de tecidos de S. Paulo. Foram seus fundadores: Coronel Luiz Antonio de Anhaia
- seu principal fundador e organizador, - Antonio Paes de Barros (Barão
de Piracicaba), Ângelo Custódio de Moraes, José Manuel de Mesquita e Antonio
Carlos de Camargo Teixeira, sendo o seu capital de 60 contos de réis, que
logo foi elevado a 100 contos. Organizada que foi essa sociedade tratou
logo de adquirir o terreno para o edifício da fábrica, cujas obras foram
imediatamente iniciadas, tendo seguido para os Estados Unidos, o engenheiro
Guilherme Pultney Ralston incumbido de lá adquirir os mais aperfeiçoados
maquinários. Em Setembro de 1869 estava concluído o edifício e, ao mesmo
tempo, chegava ao pôrto de Santos todo o maquinário para a instalação da
fábrica, bem como o pessoal especializado para a sua montagem, e, em Novembro
dêsse mesmo ano é inaugurada a fábrica de S. Luiz, de Itú. Iniciou essa
fábrica o seu funcionamento com 24 teares acionados por um vapor de 30 cavalos,
contando sua fiação com mais de 1.000 fusos. Êsses 24 teares e 1.000 fusos
foram os primeiros passos para o desenvolvimento espantoso da indústria
de tecidos em nosso Estado.
Atualmente a Fábrica S. Luiz, de Itú, contando com os mais aperfeiçoados
maquinismos, é propriedade de uma sociedade anônima, sendo seus diretores
os Srs. Servulo Pacheco e Silva, João B. de matos Pacheco e João Fratini
Doles. O edifício da Fábrica S. Luiz é vasto e de sólida construção, forma
êle um grande sobrado contanto 26 metros de frente para a Rua Direita (Atual
Paula Souza) e 85 de fundo para o lardo de S. Francisco.
Todos os fundadores da Fábrica S. Luiz eram ituanos, o que bem mostra o
espírito de iniciativa, empreendimento e progresso daquela nossa antiga
e nobre gente. Feliz e fecunda foi essa iniciativa ituana, pois logo após
a fundação dessa sua fábrica, foram fundadas outras e mais outras, vindo
finalmente formar êsse espantoso surto industrial textil, que transformou
S. Paulo em um dos mais importantes parques industriais da América do Sul.
Constitui assim a Fábrica S. Luiz, de Itú, o marco inicial dessa grande
atividade que hoje se nota no desenvolvimento industrial de S. Paulo.
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