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A CATEDRAL DE SÃO PAULO - OS VEREADORES DE 1588 JÁ LEMBRAVAM
A NECESSIDADE DE HAVER NA VILA UMA IGREJA MATRIZ E RESPECTIVO VIGÁRIO -
QUANDO O PRIMEIRO BISPO DEU ENTRADA EM SÃO PAULO A MATRIZ ESTAVA ARRUINADA...
- A IDÉIA DE UMA CATEDRAL NASCEU EM 1912 - A PLANTA DO ARQUITETO MAXIMILIANO
HEHL - NA CRIPTA DORMEM O SONO ETERNO DOZE BISPOS.
LEONARDO ARROYO
Um dos grandes edifícios que hoje se destacam
na movimentada paisagem central de cimento de São Paulo, cortada de arranha-céus
e viadutos, é o da sua Catedral em estilo gótico adaptado às exigências
dos trópicos, conforme a definição dos entendidos. Estilo gótico adaptado
com muitas concessões ao espírito inovador da cidade e às imposições do
seu solo cheio de caprichos e surprêsas. A grande construção de pedras,
cimento, ferro e vidro que domina inexoràvelmente a Praça da Sé, é considerada
a menina dos olhos da cidade e uma velha aspiração, secular aspiração, diríamos
melhor, do seu povo. Porque o desejo de uma Catedral, ou da matriz, vem
daqueles tempos heróicos dos primeiros povoadores, trinta e quatro anos
após a fundação do burgo por Manuel da Nóbrega.
Com efeito, na sessão de 6 de junho de 1588 os vereadores reuniam-se na
pobre Câmara de então e lembravam da necessidade de na vila haver "igreja
matriz e vigário". Os primeiros povoadores manifestavam o seu desejo de
ter a matriz, porém os tempos eram duros e difíceis. Tão duros e difíceis
que vinte e cinco anos depois a matriz estava para ser terminada. Assim
rolaram os tempos. Quando o primeiro bispo deu entrada em São Paulo, aos
8 de dezembro de 1746, a matriz estava arruinada. D. Bernardo Rodrigues
Nogueira, o primeiro bispo, tratou da sua reparação.
A catedral de São Paulo nasceu de uma de uma reunião convocada pelo então
arcebispo metropolitano, d. Duarte Leopoldo e Silva, no dia 25 de janeiro
de 1912, data em que se comemora a fundação da cidade. Essa reunião, marco
na história da Catedral, foi realizada no Palácio São Luiz, na rua do mesmo
nome, hoje desaparecido por imposições urbanísticas. Aí foi constituída
a primeira comissão executiva encarregada de superintender as obras e angariar
os necessários recursos à construção da nova matriz. A Mitra entrou em negociação
com a Câmara Municipal e pela escritura pública de 24 e 28 de abril de 1913
ficou assentada a escolha da área para a construção, entre as então chamadas
ruas Marechal Deodoro e Capitão Salomão que integram atualmente a Praça
da Sé.
O projeto da Catedral, depois modificados em vários de seus aspectos primitivos,
foi feito pelo arquiteto Maximiliano Hehl, que submeteu seus planos à criticas
dos mais autorizados mestres da Europa. O templo mede 111 metros de comprimento
por 46 de largura, comportando suas naves gigantescas cerca de oito mil
pessoas. A fachada principal compõe-se de um frontão central decorado. As
duas torres laterais atingirão a altura de 97 metros, o que permite serem
vistas de qualquer dos pontos da cidade de São Paulo. É todo um conjunto
maciço, de proporções grandiosas. As quatro estátuas do lado esquerdo do
portal são, as do quatro profetas, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel.
No meio está São João Batista e, do outro lado, os evangelistas: São Mateus,
São Marcos, São Lucas e São João. Ainda se encontram eternizadas na fachada
nobre as figuras de Santo Anastácio, São Cirilo, São Gregório Nazianzeno,
São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho e São
Gregório Magno.
A cripta da Catedral de São Paulo pode ser considerada com uma verdadeira
igreja subterrânea onde se encontra a alma do vasto templo em construção.
Em volta de tôda a área das naves da cripta encontram-se as câmaras mortuárias
dos sacerdotes que ocuparam o bispado de São Paulo. Doze ao todo, que se
diriam os Apóstolos da Diocese.
Ainda na cripta se encontram dois conjuntos de mármore: Jó, o afligido do
Senhor e São Jerônimo, ambos trabalhos de Francisco Leopoldo, Destaca-se
na cripta o mausoléu, em relevo de bronze, de Tibiriçá, e do Feijó, ministro
da justiça e regente do Império.
Uma visita ao templo dá bem uma idéia do esfôrço que representa a edificação.
Anos e anos ali se trabalhou com afinco, com dificuldade, para se chegar
à situação atual. Porque muitos outros esforços e dedicação exigirá o templo
para ser terminado de modo absoluto. Anos e anos lá se encontram, à sua
sombra de
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