
Foto: Divulgação/Globo
A atriz Cecília Dassi estreou em “Por Amor” (1997), de Manoel Carlos, no papel da fofa Sandrinha, filha do alcoólatra Orestes. Hoje, mais de 10 anos depois, a menina, que virou um mulherão, tira o fôlego dos marmanjos de plantão no papel da sensual Clarisse, que se encolve com homem muito mais velho.
Em entrevista ao Abril.com, Cecília, hoje com 19 anos, revela que a única semelhança que tem com sua personagem é o fato das duas adorarem comer brigadeiro. Pare ela, o grande desafio foi se despir da vergonha de usar as roupas da filha de Betina, além de exibir uma sensualidade a que não está acostumada
Leia abaixo a entrevista na íntegra
Abril.com – Em quem você se inspirou para a viver a insaciável Clarisse, de “Viver”?
Cecília Dassi - Juro que não sei. Não encontrei nada realmente parecido com ela. Acho que a Anita (Mel Lisboa, em “Presença de Anita”) não tem tanta energia e alto astral. Por outro lado, a Íris (interpretada por Deborah Secco, em “Laços de Família”) era mais caipira e muito espalhafatosa. A Clarisse, não adianta, é de uma classe média alta, é filha de uma mulher muito elegante, vive entre pessoas ricas, então o comportamento dela diante dos outros tem limites.
Assim como ela, você já teve algum relacionamento com homem muito mais velho?
Não, mas de forma alguma por achar errado ou ser contra. Não vejo problema nenhum, só nunca aconteceu mesmo.
O que você acha da liberdade que a garota tem para falar com a mãe sobre todos os assuntos? Também era assim?
Acho que existe uma diferença entre falar com a mãe sobre qualquer assunto e ter liberdade para beijar loucamente o namorado na frente dela e fazer, por exemplo, insinuações sobre chás afrodisíacos como a Clarisse faz. Acho que a conversa entre pais e filhos deve ser aberta para evitar a falta de informação e a ignorância sobre qualquer assunto. Porém, deve ter limites. Na relação com meus pais sempre houve muito respeito. A liberdade definitivamente não vai até onde vai a da Clarisse.
Até agora não deu para saber qual o destino de Clarisse? Você pode dar uma dica do que acontecerá com ela?
Não posso, porque também não sei (risos). Acredito que vão ocorrer conflitos entre o casal, mas isso é só uma torcida minha pra que tenhamos mais história. Saber mesmo, eu ainda não sei de nada.
Clarisse come brigadeiro e o namorado a reprime. Você também tem essa neurose em engordar?
Não tenho neurose, definitivamente. Mas também não posso esquecer completamente de cuidar do meu corpo, porque trabalho com minha imagem e faz parte me controlar pra não ficar gorda, não é? Acho que um certo cuidado com o corpo é fundamental independente do trabalho da pessoa, até pela saúde.

No nosso blog estamos recebendo muitos elogios dos homens quanto ao seu físico. Como anda o assédio dos homens? Quanto isso é diferente para você?
Sem dúvida é diferente. Estou muito mais exposta fisicamente nesse personagem do que em qualquer outro que já fiz. Mas, por enquanto, não tenho sentido tanto isso. As pessoas têm me respeitado bastante na rua, até agora não recebi nenhuma cantada vulgar e nem ouvi nenhum comentário que tenha me deixado constrangida. E espero, de verdade, que isso não aconteça.
Você fez “Por Amor” quando criança e agora volta para uma novela do Maneco no maior estilo Lolita. Como foi crescer como atriz? O que precisou abdicar pela carreira?
Na verdade, as coisas das quais tive que abdicar são insignificantes perto do que eu ganhei e da felicidade com a realização do meu sonho de ser atriz. Sempre soube do quanto era difícil chegar onde queria e mais difícil ainda se manter e não cair no esquecimento. Graças a Deus consegui isso, então sou muito feliz. Tive que me afastar da minha família, o que sem dúvida sempre foi e sempre será muito difícil pra mim, mas sem sombra de dúvida vale a pena.
Como se sente em ser comparada com Anita, outra forte personagem de Maneco?
Não vejo problema nenhum. Acho que são personagens diferentes. Ainda não conheço a Clarisse completamente, mas acho que ela é mais alto astral do que a Anita, que tinha aqueles ímpetos quase de criança e ficava toda saltitante mas na maior parte do tempo era mais séria, mais madura. Posso estar enganada, mas minha impressão até o momento é essa.
Você tem alguma coisa de Clarisse? O que?
Tenho, claro! Nós duas AMAMOS brigadeiro. (risos)
E o que há nela que é totalmente o oposto de Cecília Dassi?
A Clarisse gosta de ser olhada e desejada, provoca isso, o que eu definitivamente não gosto.
Qual está sendo o maior desafio de viver Clarisse?
É maravilhoso interpretar uma menina muito diferente de mim. Exige empenho e dedicação, justamente por isso estou amando. Mas, sem dúvida, meus maiores desafios são me desligar da minha vergonha com as roupas que ela usa e encontrar essa sensualidade que nunca foi aflorada em mim.