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A dança das cadeiras e categorias

4, julho, 2010 Comments off
Foto: Thatiane Faria

Foto: Thatiane Faria

A Copa está quase no fim e ainda não consegui entender qual é o critério de divisão das categorias dos ingressos para os jogos da Copa. Sei que categoria 1 é a mais cara e 4 a mais barata (esta só vendida para sul-africanos). Também sei que os assentos com preços maiores são aqueles localizados no centro do estádio, independente se estão no primeiro, segundo ou quantos andares tiver o local.

Porém, esta escolha não foi muito bem aceita por diversos torcedores. Conversei com pessoas que compraram ingressos de categoria 1, que tiveram que sentar no último andar do estádio, e outras com lugares categoria 2, sentadas no segundo andar, bem mais perto do campo. No entanto, pelos assentos estarem localizados atrás do gol, acabam sendo mais baratos.

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No jogo entre Argentina e Alemanha, um casal de torcedores ficou revoltado com os seus assentos, já que tinham pagado o maior valor oficial para ver o jogo. Estavam no último andar do estádio de Cape Town, mas achavam que veriam os jogadores de perto. Acabaram reclamando com o responsável pela área de tickets e conseguiram ser transferidos para algum lugar mais perto, após muita discussão.

Mas não foi só esta reclamação que ouvi não. Muitos torcedores aceitaram o fato de estarem longe do campo na primeira vez que iam a uma partida do Mundial. Depois acabaram ficando mais espertos quanto a isso. Nem sempre o ingresso mais caro era o melhor. Observavam o bloco e andar antes de comprar o ingresso.

Senta e levanta
Uma outra confusão bem comum no jogo de sábado (3) foi a troca troca de lugares por famílias ou amigos que queriam sentar juntos, mas tinham ingresso para assentos separados. Com a malandragem que, definitivamente, não é característica só de brasileiro, os torcedores se acomodavam em lugares que não eram seus e agiam como se nada tivesse acontecido.

 Tudo bem. Até aí, quem não faz isso? O problema é que desta vem quem tinha que resolver a situação era eu. Troquei cerca de 20 pessoas de lugar durante a partida, sendo que algumas eram casos recorrentes. O torcedor chegava e lá estava uma outra pessoa. Pedia para ela ir ao seu assento e depois acabava a encontrando novamente em um lugar que não era o seu.

Uma torcedora argentina chegou a me pedir para achar três lugares livres para ela, já que seus amigos tinham comprado assentos separados. Um dos motivos para a troca de cadeiras ter ocorrido mais vezes nestes últimos jogos, na minha opinião, foi a compra de ingressos sem ser pelo site da Fifa. Cada um deve ter comprado de pessoas diferentes (aquele assunto que expliquei no post anterior) e conseguido apenas assentos distantes.

Quem ficou mais bravo com esse problema foram outros torcedores que estavam sentadinhos nos seus lugares. Para resolver a situação, era um senta e levanta das cadeiras que acabava bloqueando a visão dos outros. Uma senhora alemã chegava a empurrar os torcedores que ficavam de pé na frente dela com a varinha da sua bandeira. E ainda xingava. Isso foi engraçado.

Fan Fest de Cape Town se recupera após ventania

Torcedores encontraram portões da Fan Fest fechados no sábado - Foto: Thatiane Faria

Torcedores encontraram portões da Fan Fest fechados no sábado - Foto: Thatiane Faria

No fim da tarde de sábado (26), após o jogo entre Uruguai e Coreia do Sul pelas oitavas de final da Copa do Mundo, o vento começou a ficar forte. Primeiro parecia apenas uma ventania comum por aqui, mas em poucos minutos a situação piorou. Cartazes, copos e outros materiais leves começaram a voar na Fan Fest de Cape Town e quem estava lá dentro, aguardando a próxima partida, foi obrigado a deixar o local.

Outros torcedores que chegaram pouco antes do jogo entre Estados Unidos e Gana saíram frustrados após encontrarem os portões do local fechados.

Resultado da ventania em Cape Town - Foto: Thatiane Faria

Resultado da ventania em Cape Town - Foto: Thatiane Faria

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No Waterfront, outro ponto muito procurado para quem quer curtir a Copa, algumas tendas balançavam, o que acabou assustando uma parte dos torcedores. Mesmo assim, cada um foi procurar outro cantinho fechado para ver o time africano se classificar às quartas de final.

Mas devo dizer que a maioria dos africanos com quem conversei, se não estão torcendo para Gana, querem ver o Brasil campeão, depois que a maioria das seleções do continente foram desclassificadas.

Já o domingo (27) foi de bastante sol por aqui e os torcedores de Alemanha e Inglaterra já lotaram novamente o Fan Fest à tarde e da Argentina e México na parte da noite.

A torcida inglesa, que é muito forte no país, assim como toda influência em alguns costumes, acabou indo embora toda triste. Faz parte.

Enquanto o sol continuar brilhando, vou enfrentar algumas filas gigantescas para fazer os passeios turísticos, procurados por todos que estão aqui nos intervalos dos jogos.

Confusão das garrafas no estádio

Foto: Reuters

Foto: Reuters

A orientação que nós voluntários recebemos dos seguranças do estádio de Cape Town foi clara: garrafas só podem circular abertas e as tampas devem ser recolhidas. Tudo bem, até aí, muito fácil. Mas ninguém especificou nada sobre o material delas.

Pelo bom senso, já imaginava que seria um equívoco permitir a entrada de garrafas de vidro, até ver o primeiro torcedor com uma cerveja Budweiser na mão, a única vendida no local. Ela era muito, mas muito parecida com uma daquelas long necks de vidro. Veio a primeira dúvida: “oras, que maluquice permitir isto aqui dentro. Qualquer briga pode virar uma tragédia”. Mas tudo bem, segui o meu trabalho.

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Eis que um outro voluntário também me perguntou se eu havia visto as garrafas de cervejas. Ele tinha a mesma preocupação que eu, a segurança. Depois que vi alguém pisando sem querer em uma destas long necks, e amassando o produto, percebi que eu tinha sido muito ingênua em achar que a garrafa poderia ser de vidro. Mas tudo bem, não fui a única. Depois, conversando com outras pessoas que foram ao estádio ou que viram pela televisão os jogos da Copa, descobri que muitos também acharam que era vidro.

Fui pegar uma na mão para comprovar e, apesar da aparência idêntica, a garrafinha era mesmo de plástico. Achei o máximo.

O fato de elas precisarem estar sempre sem tampa também tem um motivo. Um dos voluntários esclareceu que quando a garrafa é atirada cheia em outra pessoa ou no campo quando estiver fechada, o impacto é muito maior e o estrago também. Já se ela estiver aberta, o líquido cai durante o trajeto e a força com que ela chega (seja lá onde for) é muito menor.

Posso até estar muito confiante, mas a segurança dentro do estádio parece bem eficiente. E são muitos deles. Melhor não fazer besteira.

(Texto: Thatiane Faria)

Final de semana de folga após longa jornada voluntária

Foto: Thatiane Faria

Foto: Thatiane Faria

Não sei se todos têm ideia de quanto trabalho dá para fazer um evento. Os convidados chegam, tudo está pronto, pessoas à disposição para atendê-los, servi-los e fazer com que tudo aconteça da melhor forma possível.

 

Fora todo o tempo, dinheiro investido e pessoas envolvidas nos preparativos para a Copa, como obras nas cidades e nos estádios, planejamento técnico, logístico, entre outras mil coisas que são necessárias para fazer acontecer cada um dos jogos, também é preciso uma preparação bem antes do horário de cada partida para que tudo seja perfeito.

 

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Os voluntários convocados pela Fifa para ajudarem neste processo são apenas uma pequena parte disso, e mesmo assim consegui ver de perto a canseira que é. No jogo França e Uruguai, trabalhei ajudando o público na porta do estádio de Cape Town, e depois lá dentro, durante a partida e a saída. Apenas para essa tarefa, que parece simples, chegamos seis horas antes do jogo começar e só fomos embora duas horas depois do final.

 

Eram cerca de 300 voluntários do mundo todo só na minha área, cuidando para que as quase 70 mil pessoas no estádio conseguissem achar tudo o que procuravam: seus lugares, banheiros, lojas, gente perdida, ingressos, entre outras coisas. Interagimos com trabalhadores de outras funções, incluindo seguranças, essenciais para que todo o trabalho funcionasse perfeitamente, já que um ou outro torcedor sempre acaba fazendo uma certa bagunça.

 

Sim, foi cansativo. Mas e daí? Pude presenciar a alegria daquelas pessoas que entravam com suas fantasias, uma mais criativa que a outra. Mesmo com o frio, alguns tiraram as camisas e pintaram os corpos com as cores do país e entravam como se estivessem em pleno verão. As vuvuzelas soaram durante todo o jogo, mas não foi tão barulhento quanto eu pensava. Pelo menos não nesta partida que terminou sem gols.

 

Bom, o que importa é que deu tudo certo, não me lembro de ter ocorrido qualquer grande problema. Vi um homem chutando o amigo de brincadeira e este derrubando a cerveja em um menininho, mas estavam todos tão entretidos com o jogo que nem perceberam.

 

Apesar de uns primeiros dias um pouco desorganizados na administração e orientação dos voluntários, além da reclamação de que alguns de nós não estavam trabalhando muito, na hora H tudo deu certo. O pessoal não demorou muito a esvaziar o estádio, fizemos mais uma breve reunião para combinar que na segunda-feira (14), dia do próximo jogo no estádio de Cape Town, estaremos lá ainda mais cedo para nos prepararmos melhor e tentarmos nos organizar melhor e proporcionar um serviço de qualidade para este público tão bacana que estamos recebendo.

 

Até lá, vou descansar um pouquinho.

 

(Texto: Thatiane Faria)