Arquivo

Textos com Etiquetas ‘estádio’

Missão cumprida para voluntários de Cape Town

Agradecimentos e certificados no fechamento da jornada de trabalho em Cape Town

Agradecimentos e certificados no fechamento da jornada de trabalho em Cape Town

Com o fim dos jogos em Cape Town, e agora só mais dois para terminar a Copa do Mundo de 2010, o trabalho dos voluntários daqui da cidade chegou ao fim. Alguns poucos ainda têm últimas tarefas a realizar, mas na quinta-feira (8) fizemos o fechamento da nossa jornada neste Mundial. Foi marcada uma reunião para receber certificados, trocar experiências e contatos. Além disso recebemos agradecimento por parte de funcionários da Fifa, o que foi bem bacana após tanto trabalho de dedicação da maioria dos voluntários.

Segundo a chefe de segurança do estádio de Cape Town, o local recebeu sete partidas, foi palco do maior número de gols até agora, 22 no total, e também se consagrou como um dos que teve maior número de torcedores proporcionalmente à capacidade. Quatro jogos estavam totalmente lotados, com pouco menos de 65 mil pessoas, e os outros três deixaram cerca de mil lugares vazios. “Espero que o placar na final da Copa seja de apenas 1 a 0″, brincou ela ao lembrar que o segundo colocado em número de gols, 20 em sete jogos, é o Soccer City, na cidade de Johanesburgo, onde ocorrerá a partida entre Holanda e Espanha no domingo (11).

Fique por dentro de tudo que rola na Copa do Mundo
Divirta-se com o jogo da Copa do Abril.com

Durante os agradecimentos, a área em que trabalhei, “spectator services” (algo como auxílio ao público), foi uma das mais lembradas por ter enfrentado problemas e dúvidas em todos os jogos. Foram dúvidas relacionadas e confusões relacionadas à segurança, itens proibidos, tamanho de bandeiras, torcedores exaltados, entre outras questões. Além disso, tivemos que encarar um dia de grande tensão, 14 de junho, quando os seguranças do estádio resolveram entrar em greve uma hora antes de abrirmos os portões do jogo entre Itália e Paraguai.

O importante é que os jogos ocorreram normalmente. E tudo isso foi possível devido à colaboração da polícia, dos funcionários da Fifa e do grupo todo de voluntários, cada um fazendo sua parte, sendo em comunicação, logística, administração, tecnologia, marketing e todas as outras áreas. Devo dizer: parabéns a todos os que aguentaram até o fim, já que vários desistiram no meio do caminho.

Infelizmente, entre alegrias, estatísticas e agradecimentos, tivemos notícias tristes. Voluntários de Johanesburgo sofreram um acidente e acabaram morrendo. Um outro, daqui de Cape Town, também envolvido em acidente, está na UTI do hospital. Silêncio total entre nós quando a informação foi divulgada pela chefe dos voluntários. Sem dúvida alguma a pior parte da Copa até agora.

Deixando a parte ruim para trás, apesar de estar quase no fim, o Mundial tem mais dois jogos pela frente, torcedores do mundo todo ainda estão em Cape Town, mesmo que em um número muito inferior em relação a alguns dias atrás, e ainda vai ter muita festa por aqui.

“Super Size Me” na Copa

Voluntários fazem fila no Mc Donald's ao lado do estádio; há um menu especial para dias de jogo - Foto: Thatiane Faria

Voluntários fazem fila no Mc Donald's ao lado do estádio; há um menu especial para dias de jogo - Foto: Thatiane Faria

Quando eu voltar para o Brasil tenho uma certeza, passarei longe de Mc Donald’s por um bom tempo. Em um momento “Dieta Nunca Mais“, vou falar das refeições durante os dias de trabalho. Basicamente, elas se resumem ao que é vendido nesta loja de fast food ao lado do estádio de Cape Town.

Todos os dias recebemos um “voucher” no valor de 60 Rands (ou cerca de R$ 15) para comer no Mc Donald’s. Com esta quantia é possível comprar duas promoções de sanduíche, batata frita e refrigerante pequenos, bastante comida. Mas, já que eu não como carne, peço sempre sorvete, batata e alguma bebida. Isso para ficar 12 horas em pé trabalhando (muito contente, apesar de qualquer coisa).

Fique por dentro de tudo que rola na Copa do Mundo
Divirta-se com o jogo da Copa do Abril.com

Se considerarmos somente as calorias, não tem tanto problema assim, afinal devo gastar todas enquanto subo e desço escadas pelo estádio. Mas fico pensando na gordura, colesterol e outros itens nutricionais.

De acordo com a tabela do Mc Donald’s, uma batata pequena tem 206 calorias e a quantidade de gorduras corresponde a 20% do total recomendado a um adulto por dia. Já um sorvete com biscoito, além das 550 calorias, tem 26% das gorduras que precisamos diariamente. Outro dia, quando entrei na fila para fazer meu pedido, me senti como Morgan Spurlock, que produziu aquele documentário “Super Size Me”, no qual ele come na rede de fast food por 30 dias.

No entanto, algo que tem sido bem útil é o outro “voucher” também de 60 Rands, que recebemos todos os dias de trabalho, para fazer compras em um mercado super famoso daqui. É lá que tento escapar das frituras e guloseimas. Mas não é possível ir enquanto estou no estádio. Compro frutas e verduras para deixar em casa mesmo.

Pelo menos ainda não tive nenhum problema maior com saúde como outros voluntários da cidade de Nelspruit. De acordo com uma reportagem divulgada no jornal Weekend Argus, 90 deles tiveram intoxicação alimentar após tomarem um café-da-manhã no estádio local. Eles tiveram náusea e diarréia e foram levados ao hospital. Ainda segundo informações do jornal, uma investigação já foi aberta para determinar as razões do problema.

Maratona para ver o jogo do Brasil na Copa

Torcedores tentam entrar no Ellis Park para jogo do Brasil - Foto:  Ana Lúcia Miranda

Torcedores tentam entrar no Ellis Park para jogo do Brasil - Foto: Ana Lúcia Miranda

Primeira etapa – ingresso
Tudo começou uma semana atrás quando eu soube que mais um lote de ingressos seriam vendidos pela Fifa para algumas partidas da Copa. Precisava comprar pela internet, mas o sistema estava tão cheio e deu tanto problema que eu demorei simplesmente 5 horas para conseguir fazer a reserva. Clicando f5 sem parar no computador, já que às vezes aparecia na tela que ainda havia ingressos e um segundo depois já dizia estarem esgotados.

Liguei três vezes na FIFA para confirmar se era possível mesmo comprar e os atendentes me diziam que não era mais possível. Bom, não desisti e acabei conseguindo pelo site mesmo. Oba, minha presença na estreia do Brasil na Copa estava garantida.

Fique por dentro de tudo que rola na Copa do Mundo
Divirta-se com o jogo da Copa do Abril.com

Segunda etapa – Chegar ao estádio
Primeiro tive que pegar um voo de Cape Town até Johanesburgo, já que as cidades ficam à 1,4 mil km de distância uma da outra. Tudo bem, isso até que foi fácil. Depois, eu e meus colegas resolvemos alugar um carro, pois a cidade é grande e o transporte não muito eficiente. A maioria das empresas já estava sem veículos ou só tinham aqueles caríssimos. No fim da contas, conseguimos um bem baratinho, o último da loja.

Legal, depois escolhemos a opção de parar em um dos estacionamentos oficiais da Fifa, ou Park and Ride, que fica distante do estádio, neste caso o Ellis Park (Johanesburgo), mas oferece transporte até o local. Pensávamos que era um serviço gratuito, apenas com a apresentação do ingresso, assim como muitos outros torcedores que apareceram por lá. Mas é claro que não era.

Descobrimos isso apenas ao chegar no estacionamento. O funcionário nos explicou que era preciso comprar o ticket e a loja mais próxima seria num shopping chamado Eastgate. Demos uma baita volta, pegamos trânsito, ficamos irritados até que, finalmente, conseguimos completar mais esse passo. Voltamos com o ticket, estacionamos e fomos levados de ônibus até o estádio. Tínhamos saído com muita antecedência para ir ao Ellis Park, por isso conseguimos chegar a tempo, porque só esse obstáculo nos tomou cerca de 1h30.

Terceira etapa – entrar no estádio
Passamos por umas grades que não tinham segurança ou qualquer fiscalização em primeiro lugar. Não entendi muito bem o propósito daquela entrada, mas tudo bem. Logo em seguida veio uma “fila”, se é que pode ser chamada assim, para passar pela parte de revista e checagem de bolsas e malas.

Achei que a demora se devia ao rigor dos seguranças, mas era exatamente o oposto. Não havia segurança, já que eles fizeram greve, e quem estava apenas recolhendo uma parte destacável dos ingressos eram os voluntários. Não houve revista alguma. Nem pediram para abrir as bolsas, mesmo porque não tinha gente especializada para este serviço. Passamos por esta outra entrada uns 40 minutos antes de começar a partida, já estávamos super empolgados para o jogo.

 Eis que vimos uma nova multidão desorganizada mais à frente. Ficamos um pouco na nova “fila” até que percebemos que algumas pessoas estavam voltando, principalmente quando eram senhores ou grupos com crianças. Ficamos desconfiados, por que aquelas pessoas haviam desistido de ir em frente? Ao mesmo tempo, na parte externa do estádio, as luzes apagavam e acendiam, já trazendo novas perguntas às nossas mentes. Em seguida alguém nos avisou: o local estava com problemas de luz e as catracas (pelas quais ainda teríamos que passar) estavam quebradas.

Ou seja, como as pessoas iriam entrar? Não quisemos ficar esperando e correr o risco de perder o começo do jogo. Demos uma volta no estádio e achamos uma porta aberta por onde muitos torcedores estavam entrando. Fomos atrás do empurra empurra e, finalmente, conseguimos entrar. Sem apresentar o nosso ingresso nem nada. Apenas passamos.

Só para completar a maratona, enquanto estávamos subindo uma rampa de acesso aos nossos assentos, a luz acabou e ficamos alguns segundos parados devido ao breu. Corremos o mais rápido possível, assim que ela voltou, para tentarmos não ter mais nenhum problema. Enfim, depois de todos esses contratempos, sentamos para ver a estreia da seleção brasileira na Copa.

Agora imagine a felicidade de quem pagou muitos dólares, o mais barato para estrangeiros era US$ 80, para ter que passar por tudo isso. A coisa boa é que, lá dentro, a raiva passou e pudemos prestigiar a vitória do Brasil.

Confusão das garrafas no estádio

Foto: Reuters

Foto: Reuters

A orientação que nós voluntários recebemos dos seguranças do estádio de Cape Town foi clara: garrafas só podem circular abertas e as tampas devem ser recolhidas. Tudo bem, até aí, muito fácil. Mas ninguém especificou nada sobre o material delas.

Pelo bom senso, já imaginava que seria um equívoco permitir a entrada de garrafas de vidro, até ver o primeiro torcedor com uma cerveja Budweiser na mão, a única vendida no local. Ela era muito, mas muito parecida com uma daquelas long necks de vidro. Veio a primeira dúvida: “oras, que maluquice permitir isto aqui dentro. Qualquer briga pode virar uma tragédia”. Mas tudo bem, segui o meu trabalho.

Fique por dentro de tudo que rola na Copa do Mundo
Divirta-se com o jogo da Copa do Abril.com

Eis que um outro voluntário também me perguntou se eu havia visto as garrafas de cervejas. Ele tinha a mesma preocupação que eu, a segurança. Depois que vi alguém pisando sem querer em uma destas long necks, e amassando o produto, percebi que eu tinha sido muito ingênua em achar que a garrafa poderia ser de vidro. Mas tudo bem, não fui a única. Depois, conversando com outras pessoas que foram ao estádio ou que viram pela televisão os jogos da Copa, descobri que muitos também acharam que era vidro.

Fui pegar uma na mão para comprovar e, apesar da aparência idêntica, a garrafinha era mesmo de plástico. Achei o máximo.

O fato de elas precisarem estar sempre sem tampa também tem um motivo. Um dos voluntários esclareceu que quando a garrafa é atirada cheia em outra pessoa ou no campo quando estiver fechada, o impacto é muito maior e o estrago também. Já se ela estiver aberta, o líquido cai durante o trajeto e a força com que ela chega (seja lá onde for) é muito menor.

Posso até estar muito confiante, mas a segurança dentro do estádio parece bem eficiente. E são muitos deles. Melhor não fazer besteira.

(Texto: Thatiane Faria)

Final de semana de folga após longa jornada voluntária

Foto: Thatiane Faria

Foto: Thatiane Faria

Não sei se todos têm ideia de quanto trabalho dá para fazer um evento. Os convidados chegam, tudo está pronto, pessoas à disposição para atendê-los, servi-los e fazer com que tudo aconteça da melhor forma possível.

 

Fora todo o tempo, dinheiro investido e pessoas envolvidas nos preparativos para a Copa, como obras nas cidades e nos estádios, planejamento técnico, logístico, entre outras mil coisas que são necessárias para fazer acontecer cada um dos jogos, também é preciso uma preparação bem antes do horário de cada partida para que tudo seja perfeito.

 

Fique por dentro de tudo que rola na Copa do Mundo
Divirta-se com o jogo da Copa do Abril.com 

 

Os voluntários convocados pela Fifa para ajudarem neste processo são apenas uma pequena parte disso, e mesmo assim consegui ver de perto a canseira que é. No jogo França e Uruguai, trabalhei ajudando o público na porta do estádio de Cape Town, e depois lá dentro, durante a partida e a saída. Apenas para essa tarefa, que parece simples, chegamos seis horas antes do jogo começar e só fomos embora duas horas depois do final.

 

Eram cerca de 300 voluntários do mundo todo só na minha área, cuidando para que as quase 70 mil pessoas no estádio conseguissem achar tudo o que procuravam: seus lugares, banheiros, lojas, gente perdida, ingressos, entre outras coisas. Interagimos com trabalhadores de outras funções, incluindo seguranças, essenciais para que todo o trabalho funcionasse perfeitamente, já que um ou outro torcedor sempre acaba fazendo uma certa bagunça.

 

Sim, foi cansativo. Mas e daí? Pude presenciar a alegria daquelas pessoas que entravam com suas fantasias, uma mais criativa que a outra. Mesmo com o frio, alguns tiraram as camisas e pintaram os corpos com as cores do país e entravam como se estivessem em pleno verão. As vuvuzelas soaram durante todo o jogo, mas não foi tão barulhento quanto eu pensava. Pelo menos não nesta partida que terminou sem gols.

 

Bom, o que importa é que deu tudo certo, não me lembro de ter ocorrido qualquer grande problema. Vi um homem chutando o amigo de brincadeira e este derrubando a cerveja em um menininho, mas estavam todos tão entretidos com o jogo que nem perceberam.

 

Apesar de uns primeiros dias um pouco desorganizados na administração e orientação dos voluntários, além da reclamação de que alguns de nós não estavam trabalhando muito, na hora H tudo deu certo. O pessoal não demorou muito a esvaziar o estádio, fizemos mais uma breve reunião para combinar que na segunda-feira (14), dia do próximo jogo no estádio de Cape Town, estaremos lá ainda mais cedo para nos prepararmos melhor e tentarmos nos organizar melhor e proporcionar um serviço de qualidade para este público tão bacana que estamos recebendo.

 

Até lá, vou descansar um pouquinho.

 

(Texto: Thatiane Faria)