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Textos com Etiquetas ‘Cape Town’

A organização poderia melhorar, mas a oportunidade cultural é única

Voluntários estavam entro os primeiros a chegar no estádio todos os dias - Foto: Thatiane Faria

Voluntários estavam entre os primeiros a chegar no estádio todos os dias - Foto: Thatiane Faria

Uma das situações que eu mais aproveitei durante a Copa foram as conversas informais entre nós voluntários e todos que estavam trabalhando no estádio ou em alguma área relacionada ao evento. Posso dar uma ideia dos problemas e do que poderia ter sido melhor por aqui na África do Sul fazendo um resumo do que me falaram.

Antes de tudo, percebemos a dificuldade na administração da grande quantidade de voluntários e a determinação da tarefa de cada um. Assinar a entrada e saída dos dias de trabalho (como se fosse “bater o ponto”) já era um teste de paciência. Imagine centenas de voluntários tendo que entrar na fila mais ou menos na mesma hora para assinar, pegar os vouchers de alimentação e as bebidas as quais tínhamos direito. Era quase sempre uma confusão. Uma divisão das listas entre os líderes dos grupos poderia ter facilitado pelo menos isso.

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Segundo ponto: a dificuldade para comer. Em Cape Town, ou você ia muito bem alimentado e levava algum lanchinho na bolsa para poder se manter durante as horas de trabalho, ou você acabava tendo que enfrentar uma longa fila e caos dentro do Mc Donald’s, lanchonete mais próxima e onde valia nossos vouchers. Mais uma vez, como todos iam ao mesmo tempo, era o próximo teste de paciência a encarar.

Já as dificuldades no trabalho específico de cada área eram diferentes. Na parte de assistência ao público, posso dizer que se uma reunião era marcada às 13h, só iria ocorrer às 14h30. Os atrasos eram frequentes e a falta de informações também. Além disso, todos os dias surgiam novas regras, isso sem contar que algumas mudavam durante o dia de jogo.

Acho normal ter que adaptar alguns pontos, afinal sempre surgem novidades, os torcedores inventam alguma bandeira diferente, fantasias duvidosas, utensílios que podem ser perigosos, entre outras situações inéditas que realmente requerem novas soluções. No entanto, além da polícia, quem encarava o público de frente nas horas boas e ruins eram os voluntários, portanto era necessário que todas as dúvidas fossem resolvidas, e as regras fossem bastante claras, para não ter confusão na hora H.

A comunicação entre os estádios de diferentes cidades também poderia ter sido melhor, assim não escutaríamos tantos “Lá em Port Elizabeth eu entrei com essa bandeira” ou “No Soccer City eles permitem guarda-chuvas”. Todos deveriam ter um rigor igual ou bem parecido.

Imagino que a Fifa tenha tido um belo trabalho em escolher, convocar e treinar voluntários, sendo que muitos se inscreveram por motivos que definitivamente não eram trabalhar, o que acabou dando dores de cabeça aos nossos coordenadores. No entanto, eles também tinham nas mãos pessoas que estavam ali pela alegria de ajudar o evento a ser maravilhoso, que queriam aprender, conhecer pessoas, que estavam dispostas a dar o melhor de si. Todo esse potencial poderia ter sido muito melhor aproveitado.

No fim das contas, paciência foi o maior desafio para todos nós, de acordo com os voluntários com quem eu conversei na nossa última reunião. E, apesar disso, todos saíram felizes e satisfeitos de terem feito um bom trabalho, terem colaborado e feito parte da história nesta Copa. Fora as novas amizades e troca de cultura entre todos.

Conhecemos pessoas de todos os continentes, países ricos, pobres, conservadores, tropicais, passando por crises ou guerras. O Mundial, que teve como mote o respeito à diversidade, principalmente após o país ter enfrentado o apartheid, movimento separatista que dividiu brancos e negros por aqui, conseguiu reunir gente de todos os lugares, cores e escolhas. Essa, na minha opinião, foi a maior contribuição nossa com a Fifa e com todos nós mesmos.

Espero que essa oportunidade possa chegar a quem tiver interesse nas próximas Copas. Realmente vale a pena.

Missão cumprida para voluntários de Cape Town

Agradecimentos e certificados no fechamento da jornada de trabalho em Cape Town

Agradecimentos e certificados no fechamento da jornada de trabalho em Cape Town

Com o fim dos jogos em Cape Town, e agora só mais dois para terminar a Copa do Mundo de 2010, o trabalho dos voluntários daqui da cidade chegou ao fim. Alguns poucos ainda têm últimas tarefas a realizar, mas na quinta-feira (8) fizemos o fechamento da nossa jornada neste Mundial. Foi marcada uma reunião para receber certificados, trocar experiências e contatos. Além disso recebemos agradecimento por parte de funcionários da Fifa, o que foi bem bacana após tanto trabalho de dedicação da maioria dos voluntários.

Segundo a chefe de segurança do estádio de Cape Town, o local recebeu sete partidas, foi palco do maior número de gols até agora, 22 no total, e também se consagrou como um dos que teve maior número de torcedores proporcionalmente à capacidade. Quatro jogos estavam totalmente lotados, com pouco menos de 65 mil pessoas, e os outros três deixaram cerca de mil lugares vazios. “Espero que o placar na final da Copa seja de apenas 1 a 0″, brincou ela ao lembrar que o segundo colocado em número de gols, 20 em sete jogos, é o Soccer City, na cidade de Johanesburgo, onde ocorrerá a partida entre Holanda e Espanha no domingo (11).

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Durante os agradecimentos, a área em que trabalhei, “spectator services” (algo como auxílio ao público), foi uma das mais lembradas por ter enfrentado problemas e dúvidas em todos os jogos. Foram dúvidas relacionadas e confusões relacionadas à segurança, itens proibidos, tamanho de bandeiras, torcedores exaltados, entre outras questões. Além disso, tivemos que encarar um dia de grande tensão, 14 de junho, quando os seguranças do estádio resolveram entrar em greve uma hora antes de abrirmos os portões do jogo entre Itália e Paraguai.

O importante é que os jogos ocorreram normalmente. E tudo isso foi possível devido à colaboração da polícia, dos funcionários da Fifa e do grupo todo de voluntários, cada um fazendo sua parte, sendo em comunicação, logística, administração, tecnologia, marketing e todas as outras áreas. Devo dizer: parabéns a todos os que aguentaram até o fim, já que vários desistiram no meio do caminho.

Infelizmente, entre alegrias, estatísticas e agradecimentos, tivemos notícias tristes. Voluntários de Johanesburgo sofreram um acidente e acabaram morrendo. Um outro, daqui de Cape Town, também envolvido em acidente, está na UTI do hospital. Silêncio total entre nós quando a informação foi divulgada pela chefe dos voluntários. Sem dúvida alguma a pior parte da Copa até agora.

Deixando a parte ruim para trás, apesar de estar quase no fim, o Mundial tem mais dois jogos pela frente, torcedores do mundo todo ainda estão em Cape Town, mesmo que em um número muito inferior em relação a alguns dias atrás, e ainda vai ter muita festa por aqui.

A dança das cadeiras e categorias

4, julho, 2010 Comments off
Foto: Thatiane Faria

Foto: Thatiane Faria

A Copa está quase no fim e ainda não consegui entender qual é o critério de divisão das categorias dos ingressos para os jogos da Copa. Sei que categoria 1 é a mais cara e 4 a mais barata (esta só vendida para sul-africanos). Também sei que os assentos com preços maiores são aqueles localizados no centro do estádio, independente se estão no primeiro, segundo ou quantos andares tiver o local.

Porém, esta escolha não foi muito bem aceita por diversos torcedores. Conversei com pessoas que compraram ingressos de categoria 1, que tiveram que sentar no último andar do estádio, e outras com lugares categoria 2, sentadas no segundo andar, bem mais perto do campo. No entanto, pelos assentos estarem localizados atrás do gol, acabam sendo mais baratos.

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No jogo entre Argentina e Alemanha, um casal de torcedores ficou revoltado com os seus assentos, já que tinham pagado o maior valor oficial para ver o jogo. Estavam no último andar do estádio de Cape Town, mas achavam que veriam os jogadores de perto. Acabaram reclamando com o responsável pela área de tickets e conseguiram ser transferidos para algum lugar mais perto, após muita discussão.

Mas não foi só esta reclamação que ouvi não. Muitos torcedores aceitaram o fato de estarem longe do campo na primeira vez que iam a uma partida do Mundial. Depois acabaram ficando mais espertos quanto a isso. Nem sempre o ingresso mais caro era o melhor. Observavam o bloco e andar antes de comprar o ingresso.

Senta e levanta
Uma outra confusão bem comum no jogo de sábado (3) foi a troca troca de lugares por famílias ou amigos que queriam sentar juntos, mas tinham ingresso para assentos separados. Com a malandragem que, definitivamente, não é característica só de brasileiro, os torcedores se acomodavam em lugares que não eram seus e agiam como se nada tivesse acontecido.

 Tudo bem. Até aí, quem não faz isso? O problema é que desta vem quem tinha que resolver a situação era eu. Troquei cerca de 20 pessoas de lugar durante a partida, sendo que algumas eram casos recorrentes. O torcedor chegava e lá estava uma outra pessoa. Pedia para ela ir ao seu assento e depois acabava a encontrando novamente em um lugar que não era o seu.

Uma torcedora argentina chegou a me pedir para achar três lugares livres para ela, já que seus amigos tinham comprado assentos separados. Um dos motivos para a troca de cadeiras ter ocorrido mais vezes nestes últimos jogos, na minha opinião, foi a compra de ingressos sem ser pelo site da Fifa. Cada um deve ter comprado de pessoas diferentes (aquele assunto que expliquei no post anterior) e conseguido apenas assentos distantes.

Quem ficou mais bravo com esse problema foram outros torcedores que estavam sentadinhos nos seus lugares. Para resolver a situação, era um senta e levanta das cadeiras que acabava bloqueando a visão dos outros. Uma senhora alemã chegava a empurrar os torcedores que ficavam de pé na frente dela com a varinha da sua bandeira. E ainda xingava. Isso foi engraçado.

Eliminações facilitam compra de ingressos para os jogos

Ingressos de todas as categorias podiam ser encontrados antes do jogo do Brasil

Ingressos de todas as categorias podiam ser encontrados antes do jogo do Brasil

Com o fim do sonho de algumas seleções de levar a taça da Copa, assim como o Brasil, Gana, Argentina e Paraguai, os torcedores desanimados acabaram desistindo de assistir aos próximos jogos, cujos ingressos já haviam comprado, e chegaram até a vendê-los por preços mais baixos em relação aos valores que compraram.

Em Port Elizabeth, era possível encontrar ingressos facilmente desde o dia anterior até o segundo antes de entrar no estádio. Muitos daqueles que estavam na porta oferecendo tickets, acabaram não conseguindo nenhum comprador. Um brasileiro, que estava na fila de entrada da partida na minha frente, tinha dois ingressos sobrando, e acabou os dando de graça para dois meninos que passeavam por ali.

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Pelo menos foi emocionante ver o rosto dos garotinhos quando viram o presente que receberam.

Logo na saída do jogo do Brasil, já era possível encontrar torcedores vendendo ingressos da semifinal, para a qual a seleção foi eliminada. Um deles queria US$ 1 mil no ticket. Não deve ter sido fácil para ele conseguir algum interessado, considerando a tristeza dos que estavam presentes na partida.

Neste sábado (3), em Cape Town, antes do jogo entre Alemanha e Argentina, também havia muita oferta extraoficial de ingressos nos arredores do estádio. Era possível encontrar todas as categorias e preços. Uma brasileira chegou a vender seu assento de categoria 1, a mais cara desta partida no valor de US$ 300, por um terço do preço. Segundo ela, faltava menos de 20 minutos para o jogo e muitas pessoas ainda tentavam achar compradores.

É difícil dizer se o mesmo vai acontecer antes das próximas partidas, se a oferta será tão grande como foi nas quartas, mas com certeza muitos torcedores devem ter ficado bem bravos, assim como eu, de terem ficado na internet tentando comprar no site da Fifa pelo valor oficial, e depois achar tantos outros ingressos a preços inferiores.

Apesar dos exageros, é sempre bom ter cuidado extra

Placa dentro do trem avisa para passageiros procurarem assentos movimentados - Foto: Thatiane Faria

Placa dentro do trem avisa para passageiros procurarem assentos movimentados - Foto: Thatiane Faria

Antes de vir para a África do Sul, ouvi muitos comentários e notícias sobre a violência. Sei que não é um país tranquilo, que é necessário ter cuidado, mas também falar que não dá nem pra sair na rua é exagero. Também tenho a consciência de que cada região apresenta um risco diferente. Posso falar melhor sobre Cape Town, onde é possível sair sim, andar de transporte público, aproveitar o local, mas claro, com todo o cuidado possível.

Andar a noite sozinho, principalmente em locais desconhecidos, é marcar bobeira. Mesmo no Brasil, isso não seria recomendável. O melhor é estar sempre acompanhado e, pelo menos à noite, se locomover de táxi. Mesmo em época de Copa, em que as ruas estão pouco mais movimentadas e policiadas.

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Uma brasileira que veio estudar inglês e fazer um trabalho na área de eventos em Cape Town já sentiu acuada algumas vezes na cidade. Depois disso, resolveu começar a andar com aqueles aparelhos de choque, o que eu já acho um pouco maluquice. Mas, querendo ou não, ela se sente mais segura e, as duas vezes em que percebeu que poderia ser assaltada, conseguiu se safar sem precisar usar a máquina. Nem vou citar o nome dela, porque não tenho certeza é permitido portar este tipo de objeto nas ruas.

Já uma amiga dela, Suelen, estudante de engenharia de Curitiba, que veio para estudar, não teve a mesma sorte. Seu celular foi furtado duas vezes em menos de duas semanas. Uma das situações ocorreu aqui na cidade e outra em Johanesburgo, quando foi ver a estreia do Brasil no Mundial. Os ladrões são muito discretos e se aproveitam principalmente de lugares cheios para abrir uma bolsa ou colocar a mão no bolso de alguém para pegar o que conseguirem. E celular parece ser um dos principais alvos.

Neste domingo (27), no trem, conheci mais alguns brasileiros que também tiveram celulares furtados em bares ou baladas. Deixar o aparelho ou a carteira no bolso definitivamente não é uma boa ideia. No entanto, ainda não fiquei sabendo de nenhum assalto com uso de armas ou violência com pessoas próximas.

Nesse mesmo trem do centro da cidade para o bairro em que estou hospedada, vi que os próprios sul-africanos já deixam avisado para as pessoas não se descuidarem. Uma placa posicionada na parte de dentro do vagão dizia: “Mantenha-se em segurança. Se um assento estiver vazio vá para outro que esteja mais cheio”. Creio que seja bastante esperto da parte de todos simplesmente acatar a dica.

Fan Fest de Cape Town se recupera após ventania

Torcedores encontraram portões da Fan Fest fechados no sábado - Foto: Thatiane Faria

Torcedores encontraram portões da Fan Fest fechados no sábado - Foto: Thatiane Faria

No fim da tarde de sábado (26), após o jogo entre Uruguai e Coreia do Sul pelas oitavas de final da Copa do Mundo, o vento começou a ficar forte. Primeiro parecia apenas uma ventania comum por aqui, mas em poucos minutos a situação piorou. Cartazes, copos e outros materiais leves começaram a voar na Fan Fest de Cape Town e quem estava lá dentro, aguardando a próxima partida, foi obrigado a deixar o local.

Outros torcedores que chegaram pouco antes do jogo entre Estados Unidos e Gana saíram frustrados após encontrarem os portões do local fechados.

Resultado da ventania em Cape Town - Foto: Thatiane Faria

Resultado da ventania em Cape Town - Foto: Thatiane Faria

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No Waterfront, outro ponto muito procurado para quem quer curtir a Copa, algumas tendas balançavam, o que acabou assustando uma parte dos torcedores. Mesmo assim, cada um foi procurar outro cantinho fechado para ver o time africano se classificar às quartas de final.

Mas devo dizer que a maioria dos africanos com quem conversei, se não estão torcendo para Gana, querem ver o Brasil campeão, depois que a maioria das seleções do continente foram desclassificadas.

Já o domingo (27) foi de bastante sol por aqui e os torcedores de Alemanha e Inglaterra já lotaram novamente o Fan Fest à tarde e da Argentina e México na parte da noite.

A torcida inglesa, que é muito forte no país, assim como toda influência em alguns costumes, acabou indo embora toda triste. Faz parte.

Enquanto o sol continuar brilhando, vou enfrentar algumas filas gigantescas para fazer os passeios turísticos, procurados por todos que estão aqui nos intervalos dos jogos.

Opções para ver o jogo em clima de Copa fora do estádio

Torcida comemora classificação em tenda montada por patrocinadora da Copa - Foto: Thatiane Faria

Torcida comemora classificação em tenda montada por patrocinadora da Copa - Foto: Thatiane Faria

Muitos brasileiros e portugueses que não conseguiram ingresso para ver o jogo entre Brasil e Portugal no estádio de Durban, procuraram algum lugar para curtir a partida de hoje. Além do Fan Fest, espaço gratuito disponibilizado pela Fifa com telão e outras atrações artísticas aos torcedores, é possível entrar no clima da Copa do Mundo em bares e outras tendas montadas exclusivamente para o Mundial.

Tentei até o último minuto comprar um ingresso do jogo, mas no sistema da Fifa, na internet, mostrava que eles estavam indisponíveis, não esgotados. Liguei lá e o funcionário me informou que a qualquer momento mais assentos poderiam ser colocados à venda. E, claro, nada. Esse foi um dos jogos mais procurados, um dos primeiros a acabar desde o primeiro lote de ingressos vendidos.

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Decidi, então, me juntar aos brasileiros e portugueses na tenda montada por uma das patrocinadoras da Copa no Waterfront, o complexo com shopping mais conhecido de Cape Town entre os turistas. Pagando uma entrada simbólica de cerca de R$ 5, era possível sentar em uma mesa e assistir do telão junto com outros torcedores mais que empolgados. No intervalo e após o jogo, um DJ animava o pessoal com um repertório que incluía o “Rap das Armas”, parte da trilha sonora de “Tropa de Elite”, que é um hit por aqui.

Depois do jogo, torcedores continuaram no local curtindo som do DJ

Depois do jogo, torcedores continuaram no local curtindo som do DJ

Apesar das provocações, do jogo duro dentro de campo e da falta de gols, no fim das contas, as duas torcidas comemoraram juntas a classificação para as oitavas de final da Copa. Felizmente o Brasil ficou em primeiro lugar no grupo, mas, por outro lado, isso significa que o próximo jogo deles não será em Cape Town. Portugal e Espanha jogarão as oitavas aqui.

O lado bom é que, se o Brasil for pra frente, eles jogarão a semifinal aqui. Vai ser mais difícil manter a concentração como voluntária durante este jogo.

Quem vai se dar bem é a grande colônia de portugueses que existe aqui na cidade. No jogo contra a Coreia do Norte, eles dominaram o estádio. Apesar de serem nossos rivais no futebol, tenho que admitir que a torcida é bem alegre, divertida e não deu problema algum em questão de segurança.

Vamos esperar que eles continuem comportados, e que, em breve, o Brasil venha conhecer as maravilhas de Cape Town.

Goleada para alivar a tensão no estádio

Torcedores de Portugal celebram o 7 a 0 em Cape Town - Foto: Reuters

Torcedores de Portugal celebram o 7 a 0 em Cape Town - Foto: Reuters

Após ser palco de três empates um tanto sem graça, finalmente pudemos assistir alguém vencendo no estádio de Cape Town. Portugal fez 7 a 0 na Coreia do Norte em mais um dia chuvoso aqui na cidade, clima que sempre acaba trazendo dor de cabeça para os torcedores e para quem trabalha com a segurança do local pelo simples fato de não ser permitida a entrada de guarda-chuvas. E ponto final.

Não interessa o tamanho, preço, cor, ingresso, o setor, se a pessoa tem credencial, se é da imprensa ou qualquer outra pessoa. Foram inúmeras discussões e nervosismo dos torcedores ao receberem esta notícia dos policiais durante a revista e checagem de bolsas. Como não pode entrar guarda-chuva em um dia como estes?

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Enfim, regras são regras e, pelo menos desta, a Fifa não abriu mão. Vi mulher quase chorando porque aquele pertence tinha valor sentimental, um homem indignado pois tinha acabado de comprar o guarda-chuva oficial da Fifa e nem aquele poderia entrar, um casal um tanto preocupado em perder os 500 Rands (ou R$ 125) que tinham pagado em cada um deles. Resultado: centenas de guarda-chuvas foram deixados para trás e até jogados no lixo. Fica a dica para quem for assistir a algum jogo aqui na África do Sul.

Enquanto esta norma era totalmente indiscutível, o tamanho das bandeiras e das hastes embutidas nelas podia variar bastante. Logo quando os portões são abertos para a entrada do público, geralmente 3 a 4 horas antes da partida, a revista é bem mais rigorosa. Com o passar do tempo, e o aumento do fluxo de pessoas, as regras vão afrouxando. Hastes normalmente são totalmente proibidas dentro do estádio. No fim, algumas pequenas ou até médias, se não forem pontudas, já acabam passando.

O mesmo ocorre com bandeiras. Se elas forem maiores do que 2m por 1,5m, acabam retidas na entrada. Também existe a possibilidade de cortá-las para que fiquem menores. No entanto, muitos torcedores acabam tendo permissão para entrar com elas se derem a palavra de que não vão abri-las no estádio. Caso contrário, elas aí sim serão confiscadas.

Esta mudança no rigor antes do jogo não ocorre por falta de vontade dos policiais, mas pela multidão de pessoas que acabam amontoadas para fora dos portões esperando para entrar e pela insistência, muitas vezes até agressiva, por parte dos torcedores.

Ainda bem que a maior parte dos quase de 65 mil que estavam no estádio torcia para Portugal, assim eles saíram felizes da vida mesmo sem os seus pertences.

“Super Size Me” na Copa

Voluntários fazem fila no Mc Donald's ao lado do estádio; há um menu especial para dias de jogo - Foto: Thatiane Faria

Voluntários fazem fila no Mc Donald's ao lado do estádio; há um menu especial para dias de jogo - Foto: Thatiane Faria

Quando eu voltar para o Brasil tenho uma certeza, passarei longe de Mc Donald’s por um bom tempo. Em um momento “Dieta Nunca Mais“, vou falar das refeições durante os dias de trabalho. Basicamente, elas se resumem ao que é vendido nesta loja de fast food ao lado do estádio de Cape Town.

Todos os dias recebemos um “voucher” no valor de 60 Rands (ou cerca de R$ 15) para comer no Mc Donald’s. Com esta quantia é possível comprar duas promoções de sanduíche, batata frita e refrigerante pequenos, bastante comida. Mas, já que eu não como carne, peço sempre sorvete, batata e alguma bebida. Isso para ficar 12 horas em pé trabalhando (muito contente, apesar de qualquer coisa).

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Se considerarmos somente as calorias, não tem tanto problema assim, afinal devo gastar todas enquanto subo e desço escadas pelo estádio. Mas fico pensando na gordura, colesterol e outros itens nutricionais.

De acordo com a tabela do Mc Donald’s, uma batata pequena tem 206 calorias e a quantidade de gorduras corresponde a 20% do total recomendado a um adulto por dia. Já um sorvete com biscoito, além das 550 calorias, tem 26% das gorduras que precisamos diariamente. Outro dia, quando entrei na fila para fazer meu pedido, me senti como Morgan Spurlock, que produziu aquele documentário “Super Size Me”, no qual ele come na rede de fast food por 30 dias.

No entanto, algo que tem sido bem útil é o outro “voucher” também de 60 Rands, que recebemos todos os dias de trabalho, para fazer compras em um mercado super famoso daqui. É lá que tento escapar das frituras e guloseimas. Mas não é possível ir enquanto estou no estádio. Compro frutas e verduras para deixar em casa mesmo.

Pelo menos ainda não tive nenhum problema maior com saúde como outros voluntários da cidade de Nelspruit. De acordo com uma reportagem divulgada no jornal Weekend Argus, 90 deles tiveram intoxicação alimentar após tomarem um café-da-manhã no estádio local. Eles tiveram náusea e diarréia e foram levados ao hospital. Ainda segundo informações do jornal, uma investigação já foi aberta para determinar as razões do problema.

Mais trabalho e menos rigor após greve de seguranças dos estádios

Seguranças protestam em frente ao estádio Ellis Park onde o Brasil jogou na terça - Foto: Reuters

Seguranças protestam em frente ao estádio Ellis Park onde o Brasil jogou na terça - Foto: Reuters

No meu último post, falei da importância dos seguranças e de como eles eram numerosos no estádio. Pois esqueçam isso agora, tudo mudou. Desde segunda-feira (14), os seguranças da empresa terceirizada contratada pela Fifa para trabalharem nos jogos da Copa, resolveram entrar em greve em diversas cidades por considerarem o pagamento muito baixo.

Segundo eles, o valor recebido foi de 190 Rands (ou cerca de R$ 48) pelo dia de trabalho, que dura, no mínimo, 12 horas.

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O primeiro estádio a ter problemas foi o de Durban. Os jornais do país mostraram um confronto entre os seguranças e a polícia nas ruas da cidade. Depois foi a vez de Cape Town. Ainda na segunda-feira, por volta de uma hora antes dos portões abrirem ao público do jogo entre Itália e Paraguai, os milhares de funcionários resolveram que não iriam trabalhar para receber aquele valor, que eu sinceramente não sei por quem foi definido.

 Nós, voluntários, e os outros funcionários da Fifa nos redobramos para conseguir fazer uma pequena parte do serviço deles e a polícia da cidade foi chamada para fazer a outra parte. Deu tudo certo, ainda bem! Mas o trabalho foi bem mais corrido do que no jogo anterior. E claro, não conseguimos ser tão rigorosos com as regras como deveríamos ser, já que não era possível cuidar o tempo todo dos mais de 60 mil torcedores.

 O lado bom foi que neste dia a Fifa realizou um treinamento básico com os voluntários sobre o que fazer e do que deveríamos cuidar. Esta parte foi muito produtiva, já que para o jogo França e Uruguai tudo foi feito meio às pressas. A polícia cuidou da segurança do estádio e também nos deu assistência para o que precisássemos. Acho que muitos torcedores nem perceberam o que estava acontecendo. Menos mal.

Eles já tiveram que sair num dia frio e chuvoso para assistir à partida de futebol sem poder levar guarda-chuva, que é item proibido dentro do estádio. Só o que faltava era terem que enfrentar mais algum problema.

No jogo do Brasil de ontem, os seguranças também não estavam presentes, mas esta situação merece um texto exclusivo sobre a total desorganização e desrespeito aos torcedores. Aos funcionários que ficaram, seja em qualquer um dos estádios, e tentaram fazer o máximo para que tudo saísse direitinho, eu só posso agradecer e dizer parabéns por encarar este desafio.

Não posso julgar os seguranças por quererem um pagamento melhor, mas a Copa tem que acontecer, após tanto tempo, trabalho, dinheiro, pessoas, torcedores, jogadores, seleções envolvidos no maior evento esportivo do mundo.

(Texto: Thatiane Faria)