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Eliminações facilitam compra de ingressos para os jogos

Ingressos de todas as categorias podiam ser encontrados antes do jogo do Brasil

Ingressos de todas as categorias podiam ser encontrados antes do jogo do Brasil

Com o fim do sonho de algumas seleções de levar a taça da Copa, assim como o Brasil, Gana, Argentina e Paraguai, os torcedores desanimados acabaram desistindo de assistir aos próximos jogos, cujos ingressos já haviam comprado, e chegaram até a vendê-los por preços mais baixos em relação aos valores que compraram.

Em Port Elizabeth, era possível encontrar ingressos facilmente desde o dia anterior até o segundo antes de entrar no estádio. Muitos daqueles que estavam na porta oferecendo tickets, acabaram não conseguindo nenhum comprador. Um brasileiro, que estava na fila de entrada da partida na minha frente, tinha dois ingressos sobrando, e acabou os dando de graça para dois meninos que passeavam por ali.

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Pelo menos foi emocionante ver o rosto dos garotinhos quando viram o presente que receberam.

Logo na saída do jogo do Brasil, já era possível encontrar torcedores vendendo ingressos da semifinal, para a qual a seleção foi eliminada. Um deles queria US$ 1 mil no ticket. Não deve ter sido fácil para ele conseguir algum interessado, considerando a tristeza dos que estavam presentes na partida.

Neste sábado (3), em Cape Town, antes do jogo entre Alemanha e Argentina, também havia muita oferta extraoficial de ingressos nos arredores do estádio. Era possível encontrar todas as categorias e preços. Uma brasileira chegou a vender seu assento de categoria 1, a mais cara desta partida no valor de US$ 300, por um terço do preço. Segundo ela, faltava menos de 20 minutos para o jogo e muitas pessoas ainda tentavam achar compradores.

É difícil dizer se o mesmo vai acontecer antes das próximas partidas, se a oferta será tão grande como foi nas quartas, mas com certeza muitos torcedores devem ter ficado bem bravos, assim como eu, de terem ficado na internet tentando comprar no site da Fifa pelo valor oficial, e depois achar tantos outros ingressos a preços inferiores.

Opções para ver o jogo em clima de Copa fora do estádio

Torcida comemora classificação em tenda montada por patrocinadora da Copa - Foto: Thatiane Faria

Torcida comemora classificação em tenda montada por patrocinadora da Copa - Foto: Thatiane Faria

Muitos brasileiros e portugueses que não conseguiram ingresso para ver o jogo entre Brasil e Portugal no estádio de Durban, procuraram algum lugar para curtir a partida de hoje. Além do Fan Fest, espaço gratuito disponibilizado pela Fifa com telão e outras atrações artísticas aos torcedores, é possível entrar no clima da Copa do Mundo em bares e outras tendas montadas exclusivamente para o Mundial.

Tentei até o último minuto comprar um ingresso do jogo, mas no sistema da Fifa, na internet, mostrava que eles estavam indisponíveis, não esgotados. Liguei lá e o funcionário me informou que a qualquer momento mais assentos poderiam ser colocados à venda. E, claro, nada. Esse foi um dos jogos mais procurados, um dos primeiros a acabar desde o primeiro lote de ingressos vendidos.

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Decidi, então, me juntar aos brasileiros e portugueses na tenda montada por uma das patrocinadoras da Copa no Waterfront, o complexo com shopping mais conhecido de Cape Town entre os turistas. Pagando uma entrada simbólica de cerca de R$ 5, era possível sentar em uma mesa e assistir do telão junto com outros torcedores mais que empolgados. No intervalo e após o jogo, um DJ animava o pessoal com um repertório que incluía o “Rap das Armas”, parte da trilha sonora de “Tropa de Elite”, que é um hit por aqui.

Depois do jogo, torcedores continuaram no local curtindo som do DJ

Depois do jogo, torcedores continuaram no local curtindo som do DJ

Apesar das provocações, do jogo duro dentro de campo e da falta de gols, no fim das contas, as duas torcidas comemoraram juntas a classificação para as oitavas de final da Copa. Felizmente o Brasil ficou em primeiro lugar no grupo, mas, por outro lado, isso significa que o próximo jogo deles não será em Cape Town. Portugal e Espanha jogarão as oitavas aqui.

O lado bom é que, se o Brasil for pra frente, eles jogarão a semifinal aqui. Vai ser mais difícil manter a concentração como voluntária durante este jogo.

Quem vai se dar bem é a grande colônia de portugueses que existe aqui na cidade. No jogo contra a Coreia do Norte, eles dominaram o estádio. Apesar de serem nossos rivais no futebol, tenho que admitir que a torcida é bem alegre, divertida e não deu problema algum em questão de segurança.

Vamos esperar que eles continuem comportados, e que, em breve, o Brasil venha conhecer as maravilhas de Cape Town.

O outro lado da moeda, ou do cartão

Apesar dos problemas com cartão, consumidores brasileiros fizeram a festa na África do Sul - Foto: Getty Images

Apesar dos problemas com cartão, consumidores brasileiros fizeram a festa na África do Sul - Foto: Getty Images

De acordo com a assessoria de imprensa da Visa, o problema encontrado por muitas pessoas na realização de pagamentos com cartão de crédito aqui na África do Sul já foi resolvido. Eles informaram que a rejeição do pagamento ocorria por falha do Nedbank, um grande banco que funciona no país, que fornece as máquinas para a transação. Além disso,  a dificuldade era encontrada exclusivamente por clientes que utilizam cartões com chip.

Sobre quem já teve problema e recebeu cobranças indevidas, a solução é telefonar para a Visa ou para o banco.

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Mesmo com todo problema, o consumidor brasileiro parece não ter se intimidado muito com essas dificuldades em fazer compras ou pagar passeios e hoteis. Apesar de tudo, ontem uma voluntária da Fifa reclamou do mesmo problema com cartão de crédito, o Brasil ficou em quinto lugar em no total de gastos na África do Sul, entre os dias 1 e 20 de junho, utilizando cartões da bandeira Visa, segundo informações divulgadas pela empresa esta semana.

Foram US$ 4,1 milhões no período (cerca de R$ 7,33 milhões). Ficamos atrás apenas da Inglaterra (em primeiro com um valor consumido de US$ 25,3 mi), Estados Unidos (US$ 25,2 mi), Austrália (US$ 6,2 mi) e França (US$ 4,7 mi). No total, a Visa registrou gastos de US$ 128 milhões (R$ 229, 1 mi) nestes 20 primeiros dias do mês aqui no país da Copa.

Imagine se todas aquelas transações que não deram certo tivessem entrado nesta conta?

Acho que além de sermos consumistas mesmo, tem muito muito brasileiro por aqui e ficamos empolgados com o fato da nossa moeda ser mais forte e conseguirmos fazer compras e passeios por valores tão inferiores em relação ao Brasil.

Maratona para ver o jogo do Brasil na Copa

Torcedores tentam entrar no Ellis Park para jogo do Brasil - Foto:  Ana Lúcia Miranda

Torcedores tentam entrar no Ellis Park para jogo do Brasil - Foto: Ana Lúcia Miranda

Primeira etapa – ingresso
Tudo começou uma semana atrás quando eu soube que mais um lote de ingressos seriam vendidos pela Fifa para algumas partidas da Copa. Precisava comprar pela internet, mas o sistema estava tão cheio e deu tanto problema que eu demorei simplesmente 5 horas para conseguir fazer a reserva. Clicando f5 sem parar no computador, já que às vezes aparecia na tela que ainda havia ingressos e um segundo depois já dizia estarem esgotados.

Liguei três vezes na FIFA para confirmar se era possível mesmo comprar e os atendentes me diziam que não era mais possível. Bom, não desisti e acabei conseguindo pelo site mesmo. Oba, minha presença na estreia do Brasil na Copa estava garantida.

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Segunda etapa – Chegar ao estádio
Primeiro tive que pegar um voo de Cape Town até Johanesburgo, já que as cidades ficam à 1,4 mil km de distância uma da outra. Tudo bem, isso até que foi fácil. Depois, eu e meus colegas resolvemos alugar um carro, pois a cidade é grande e o transporte não muito eficiente. A maioria das empresas já estava sem veículos ou só tinham aqueles caríssimos. No fim da contas, conseguimos um bem baratinho, o último da loja.

Legal, depois escolhemos a opção de parar em um dos estacionamentos oficiais da Fifa, ou Park and Ride, que fica distante do estádio, neste caso o Ellis Park (Johanesburgo), mas oferece transporte até o local. Pensávamos que era um serviço gratuito, apenas com a apresentação do ingresso, assim como muitos outros torcedores que apareceram por lá. Mas é claro que não era.

Descobrimos isso apenas ao chegar no estacionamento. O funcionário nos explicou que era preciso comprar o ticket e a loja mais próxima seria num shopping chamado Eastgate. Demos uma baita volta, pegamos trânsito, ficamos irritados até que, finalmente, conseguimos completar mais esse passo. Voltamos com o ticket, estacionamos e fomos levados de ônibus até o estádio. Tínhamos saído com muita antecedência para ir ao Ellis Park, por isso conseguimos chegar a tempo, porque só esse obstáculo nos tomou cerca de 1h30.

Terceira etapa – entrar no estádio
Passamos por umas grades que não tinham segurança ou qualquer fiscalização em primeiro lugar. Não entendi muito bem o propósito daquela entrada, mas tudo bem. Logo em seguida veio uma “fila”, se é que pode ser chamada assim, para passar pela parte de revista e checagem de bolsas e malas.

Achei que a demora se devia ao rigor dos seguranças, mas era exatamente o oposto. Não havia segurança, já que eles fizeram greve, e quem estava apenas recolhendo uma parte destacável dos ingressos eram os voluntários. Não houve revista alguma. Nem pediram para abrir as bolsas, mesmo porque não tinha gente especializada para este serviço. Passamos por esta outra entrada uns 40 minutos antes de começar a partida, já estávamos super empolgados para o jogo.

 Eis que vimos uma nova multidão desorganizada mais à frente. Ficamos um pouco na nova “fila” até que percebemos que algumas pessoas estavam voltando, principalmente quando eram senhores ou grupos com crianças. Ficamos desconfiados, por que aquelas pessoas haviam desistido de ir em frente? Ao mesmo tempo, na parte externa do estádio, as luzes apagavam e acendiam, já trazendo novas perguntas às nossas mentes. Em seguida alguém nos avisou: o local estava com problemas de luz e as catracas (pelas quais ainda teríamos que passar) estavam quebradas.

Ou seja, como as pessoas iriam entrar? Não quisemos ficar esperando e correr o risco de perder o começo do jogo. Demos uma volta no estádio e achamos uma porta aberta por onde muitos torcedores estavam entrando. Fomos atrás do empurra empurra e, finalmente, conseguimos entrar. Sem apresentar o nosso ingresso nem nada. Apenas passamos.

Só para completar a maratona, enquanto estávamos subindo uma rampa de acesso aos nossos assentos, a luz acabou e ficamos alguns segundos parados devido ao breu. Corremos o mais rápido possível, assim que ela voltou, para tentarmos não ter mais nenhum problema. Enfim, depois de todos esses contratempos, sentamos para ver a estreia da seleção brasileira na Copa.

Agora imagine a felicidade de quem pagou muitos dólares, o mais barato para estrangeiros era US$ 80, para ter que passar por tudo isso. A coisa boa é que, lá dentro, a raiva passou e pudemos prestigiar a vitória do Brasil.