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Na virada da estação, as lojas botam suas prateleiras abaixo. E os preços seguem o mesmo rastro. Muita gente acha que liquidação é sinônimo de peças encalhadas, fora de moda, de cores esquisitas e tamanhos distantes do seu. Mas, para quem sabe garimpar, a realidade é outra.
Michelle Kimura, de 25 anos, sempre gostou de moda: acompanha desfiles e cria seu próprio estilo. É daquelas que, quando vai a uma loja, se esquece da vida e gasta seu tempo procurando peças baratas. “Sempre fugi da ideia de que só se veste bem quem paga caro.” Seu truque é compor o visual mesclando modelos baratinhos com peças que carregam etiquetas respeitadas. “As lojas de departamento têm coisas ruins, assim como as lojas caras. É questão de olhar e encontrar o que há de bacana”, ensina.
Quando chega a uma loja, segue direto para a ala de liquidação. Ali, dá preferência às peças mais básicas, que não saem de moda. Para quem quer seguir sua fórmula, as dicas parecem simples: ter tempo, paciência, olhar tudo com calma e pensar se realmente está adquirindo uma peça que vai usar. Nada daquele truque de comprar roupa com o número maior ou menor para entrar nela depois de ganhar ou perder peso. Outro conselho é fugir de modelos extravagantes ou com estampas que acabam saindo de moda. “Sempre encontro a cor e o tamanho que quero durante as promoções”, fala a expert.
Há dez anos, a relações públicas Erika Alexandra Balbino começou a dar mais atenção a palavras mágicas como liquidação, bazar, ponta de estoque e brechó. Hoje, é louca por bazares de boas marcas. Começou assim: gostava da marca, fazia contato, se cadastrava para receber notícias e pedia para ligarem quando a loja entrasse em liquidação. Assim, foi criando um relacionamento com os vendedores, a ponto de conhecê-los pelo nome.
A experiência fez com que aprendesse a segurar a empolgação. Antigamente, comprava uma peça barata e, quando chegava em casa, percebia que já tinha algo igual ou parecido. Mas agora pensa bem antes de tirar o dinheiro do bolso. E ainda montou o Escambo Bazar, um encontro, que já é realizado há quatro anos, entre amigas que juntam suas peças para trocarem entre si. “Na verdade, o encontro é uma boa desculpa para a mulherada tomar vinho e falar mal dos homens”, brinca Erika.
Para quem não tem muito tempo, a solução é aproveitar os preços baixos navegando na internet. A estilista Priscila Whitaker entra todos os dias na rede, pois é lá que encontra as liquidações o ano inteiro. “Procuro direto pela loja que sei que está em liquidação”, diz a fã do site brandsclub.com.br. Como trabalha com moda, sabe exatamente quanto custa uma roupa e quando o preço realmente vale a pena.
(Com Agência Estado)