Argentina não vence um jogo de mata-mata de Copa do Mundo nos 90 minutos há mais de 20 anos

Caniggia passa por Taffarel no último triunfo hermano no tempo regulamentar - Foto: Dedoc
Texto: Ricardo Zanirato
Neste domingo (27), a Argentina entra em campo contra o México para tentar espantar um tabu que dura desde os tempos em que o atual técnico da “Alvi-celeste”, Maradona, ainda era um jogador de futebol. Desde o dia 24 de junho de 1990, há exatos 20 anos e três dias, quando bateu o Brasil por 1 a 0, com gol de Caniggia, a Argentina não vence um jogo de mata-mata de Copa do Mundo nos noventa minutos.
Copa de 1990
Na Copa da Itália, em 90, com Maradona, Caniggia e Goycochea em campo, os hermanos venceram o Brasil, nas oitavas, por um a zero, gol de Caniggia.

Goycochea pega a penalidade de Hadzilbecig- Foto: Getty Images
Nas quartas de final, zero a zero com a Iugoslávia, de Savicevic, Stojkovic e Prosinecki. Nos pênaltis brilhou a estrela de Goycochea, também conhecido em Buenos Aires e cercanias como “tapa penales”. Após duas cobranças de cada equipe, a Argentina vencia por 2 a 1, até que Don Diego Maradona bateu fraquinho e Ivikovic agarrou a bola. Os argentinos esmoreceram, Savicevic se aproveitou e empatou. Na cobrança seguinte, Troglio acertou a trave e mostrou que o time de Bilardo acusou o golpe. Mas Goycochea salvou a pele de “dios”, que teve seu dia de mortal. O goleiro defendeu as duas cobranças seguintes e o reserva Dezotti fez o gol da classificação argentina.
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Na semifinal, contra a Itália, 1 a 1 nos 90 minutos e na prorrogação. Na decisão por pênaltis brilhou novamente a estrela de Goycochea, que defendeu as cobranças de Donadoni e de Aldo Serena. Nos pênaltis, Argentina 4 a 3.

Aldo Serena foi outra vítima do "tapa penales" - Foto: AP
Na final, no estádio Olímpico de Roma, a sorte, enfim, não sorriu para Goycochea. Depois de 85 minutos atacando a defesa argentina, a Alemanha Ocidental foi premiada com um controverso pênalti de Sensini em Voëller. Brehme bateu, coverteu e correu para o abraço.
A Argentina de 1990 registrou a pior campanha de um finalista de Copa do Mundo: apenas duas vitórias e cinco gols marcados em sete jogos. Os números ruins foram vistos na própria final, já que a equipe se tornou a primeira a não marcar gols na decisão e também a primeira a ter um jogador expulso – e foram dois, Monzon e Dezotti.

Brehme faz o gol do título alemão em 90 - Foto: Getty
Copa de 1994
Depois de uma primeira fase irregular – duas vitórias e uma derrota -, a Argentina sentiu a falta de Maradona. O eterno dez participou das duas primeiras partidas e acabou flagrado no antidoping, pelo uso de cinco substâncias proibidas: efedrina, nor-efedrina, pseudoefedrina, nor-pseudoefedrina e meta-efedrina. Todas estimulam os batimentos cardíacos, dão fôlego e lucidez, além de causar perda de peso.
Classificada como um dos melhores terceiros, coube a Argentina, que teve Ortega na vaga de Maradona, enfrentar a Romênia, primeira colocada do grupo A. Em um jogo movimentado, a seleção romena de Hagi, “o Maradona dos Cárpatos, bateu a Argentina por 3 a 2.
Copa de 1998

Hagi e companhia não deram chances para a Argentina em 94 - Foto: Getty Images
Nas oitavas de final da Copa da França, os argentinos enfrentaram a Inglaterra. Depois dos hermanos saírem na frente com um gol de Batistuta, Michael Owen virou o jogo para a Inglaterra. Zanetti impediu a eliminação precoce ao empatar o jogo. Nos pênaltis, Roa viveu um dia de “tapa penales”, defendeu duas cobranças e colocou o time de Passarella nas quartas.
Contra a Holanda, nas quarta de final, a Argentina acumulou o sexto jogo seguido sem conseguir vencer uma partida de “mata-mata”. O time do craque Bergkamp bateu o time de Verón e Batistuta por 2 a 1.
Copa de 2002

Owen caiu para os argentinos em 98 - Foto: Getty Images
Na Copa da Coreia e do Japão, a Argentina começou a se dar mal logo no sorteio. Pelé foi o escolhido pela FIFA para retirar as bolinhas que formavam os grupos. O rei do futebol sorteou adversários fáceis para o Brasil e colocou os eternos rivais da seleção brasileira no “grupo da morte”, com Nigéria, Inglaterra e Suécia.
Na Copa, o time de Marcelo Bielsa bateu a Nigéria na estreia, perdeu para a Inglaterra na sequencia e apenas empatou com a Suécia na última rodada. Com 4 pontos, a Argentina acabou em terceiro lugar em sua chave, que teve a Suécia e Inglaterra classificadas, ambas com 5 pontos. Com isso, a “Albiceleste” não disputou partidas de “mata-mata” em 2002.
Copa de 2006

Bergkamp mandou os hermanos para Buenos Aires em 98 - Foto: Getty Images

Suécia comemora a viória que eliminou a Argentina na primeira fase - Foto: Getty Images
Depois do trauma da Copa de 2002, a Argentina encarou com seriedade a primeira fase da Copa de 2006 e não deu chance para os adversários. Nas oitavas, a Argentina enfrentou a boa equipe mexicana. O bom futebol da primeira fase sumiu e os portenhos suaram a camisa e só conseguiram bater o México na prorrogação, depois de um gol de Maxi Rodriguez, grande destaque da equipe na primeira fase.
Nas quartas, uma reedição das finais de 86 e 90: Alemanha e Argentina. Depois do 1 a 1 nos 120 minutos de jogo, a partida foi para as penalidades. Porém Pato Abbondanzieri não era um “tapa penales”. Resultado final: Alemanha 4 x 2 Argentina.

Maxi Rodriguez faz o gol na prorrogação, em 2006 - Foto: Getty Images
Lista dos jogos de “mata-mata” que a Argentina não vence nos 90 minutos:
Oitavas de final da Copa de 1990: Argentina 1 x 0 Brasil
Quarta de final da Copa de 1990: Argentina 0 x 0 Iugoslávia (3 a 2 nos pênaltis)
Semifinal da Copa de 1990: Argentina 1 x 1 Itália (4 a 3 nos pênaltis)
Final da Copa de 1990: Argentina 0 x 1 Alemanha Ocidental
Oitavas de final da Copa de 1994: Argentina 2 x 3 Romênia
Oitava de final da Copa de 1998: Argentina 2 x 2 Inglaterra (4 a 3 nos pênaltis)
Quartas de final da Copa de 1998: Argentina 1 x 2 Holanda
Oitavas de final da Copa de 2006: Argentina 1 x 1 México (1 a 0 na prorrogação)
Quartas de final da Copa de 2006: Argentina 1 x 1 Alemanha (2 a 4 nos pênaltis)
Ronaldo (Corinthians)
Grafite (Wolfsburg)
Marcos (Palmeiras)
Diego (Juventus)
Fábio Aurélio (Liverpool)