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Texto: Daniel Cristóvão
A seleção brasileira de futebol repetiu 2006 e caiu nas quartas de final na Copa do Mundo da África do Sul ao perder para a Holanda por 2 a 1. Muitos são apontados como culpados pela queda antes do esperado: treinador, jogadores, esquema tático ou convocação estão na boca dos torcedores. Diante disso, o Abril.com decidiu elencar alguns motivos para mais uma eliminação da seleção canarinho, sempre considerada favorita em Mundiais.

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1 – Perdeu jogadores importantes sem ter como repor
Dunga bateu o pé e disse que tinha um grupo fechado, vencedor e comprometido. Ocorre que o treinador confiou demais nos 11 titulares e não pensou que poderia “perder peças” no caminho. Resultado, viu Elano sair da Copa no segundo jogo da fase de grupos contra a Costa do Marfim e perdeu Ramires, seu reserva imediato, com cartões amarelos. Sem jogadores capazes de fazer a mesma função pelo lado direito, confiou a tarefa ao lateral Daniel Alves, que não rendeu na posição como esperado contra a Holanda.
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2 – Bancou Kaká contundido e mais 10
A comissão técnica se apoiou na recuperação da contusão de Kaká, principal jogador do elenco. Com isso, o treinador não pensou em qualquer outra possibilidade caso o camisa 10 não rendesse o esperado. Levou Júlio Baptista, que não tem a mesma função tática do meia, e acabou por utilizá-lo apenas contra Portugal, por conta do vermelho que Kaká tomou contra Costa do Marfim. Para piorar, o médico da seleção brasileira garantiu que o camisa 10 não jogou seu melhor por conta da contusão. “Rendeu apenas 85% do que podia”, disse Runco. Contra a Holanda, Dunga deixou claro que não o sacou por não ter opções à altura. Ronaldinho Gaúcho e Ganso seriam estes reservas.
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3 – Faltou equilíbrio emocional
O destempero do treinador à beira do campo deixou claro que Dunga estava muito pressionado. Deixou transparecer muito nervosismo aos jogadores em momentos importantes, contra Portgual e Holanda, principalmente. Até Robinho, sempre distante de confusões, bateu boca rispidamente contra os holandeses, e Felipe Melo, considerado o “novo Dunga”, acabou expulso após agredir Robben. Além disso, comprou briga à toa com a imprensa e criou mal-estar entre jornalistas e jogadores com proibição de entrevistas e treinos fechados.
4 – Faltou transparência
O técnico Dunga e toda comissão técnica se apoiaram na “bagunça” de 2006 para garantir que em 2010 o trabalho seria diferente, com privacidade ao elenco. Diante do bloqueio feito aos jornalistas, deu margens a especulações, como no caso da contusão de Gilberto Silva, desmentida pelo treinador, e da substituição do volante por Josué, após imagem feita por um fotógrafo de cima de um telhado, que indicava o jogador no time titular. Vale lembrar as informações desencontradas sobre a gravidade da lesão de Elano.

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5 – Fator Felipe Melo
Não teve um crítico sequer que não apostou que o volante Felipe Melo teria problemas por conta de seu temperamento explosivo. Mesmo assim, o treinador o manteve no time titular durante toda Copa, com exceção da partida contra o Chile, a melhor atuação do time canarinho na Copa do Mundo com vitória por 3 a 0. Contra Portugal, o camisa 5 foi nitidamente sacado do time após se envolver em lances ríspidos com Pepe. Saiu antes do intervalo, logo após receber o cartão amarelo. Contra a Holanda, deu uma assistência primorosa para Robinho no lance do gol brasileiro. Depois errou ao saltar com Júlio Cesar no gol de empate da Holanda, no segundo ao deixar Sneijder sozinho na área e, por fim, ao ser expulso após agredir Robben.
6 – Sem ousadia
Quando perdia por 2 a 1 para a Holanda, fez apenas duas alterações no time, deixando claro não ter mais o que fazer com os demais que estavam no banco. Preferiu simplesmente sacar Luis Fabiano por Nilmar e tirou Michel Bastos, colocando Gilberto, deixando de fazer a última alteração a que teria direito. Mesmo com a Holanda dominando o jogo, não mexeu no sistema de jogo do time, mantendo volantes, lateriais e zagueiros mesmo precisando empatar o jogo.
7 - Seleção quadrada
Dunga apostou em dois jogadores por posição sem se dar ao luxo de improvisar ou de achar que um jogador pode fazer parte do grupo por ter condições de exercer várias funções. Durante os anos em que comandou a seleção, não tinha um lateral-esquerdo de confiança. Mesmo assim, levou dois para a posição, podendo abrir mão de um deles em prol de um atacante ou de um meia habilidoso.
8 – Variação tática
Dunga dificilmente mexeu na formação tática dele: 4-4-2 clássico. Contra a Coreia do Norte, ele chegou a tentar uma formação diferente, sacando Kaká e recuando Robinho para a função de armador. Talvez por ter perdido poucas vezes a frente do comando da seleção – foram seis derrotas em 59 jogos -, ele tenha mantido seu “esquema” sempre. Nunca abriu mão de jogar com dois volantes, quando poderia sacar um e testar três meias ou três atacantes em uma situação de adversidade e até desespero, como aconteceu diante dos holandeses.