Arquivo

Textos com Etiquetas ‘volume’

A garota de Ipanema de Raia de Goeye

8, novembro, 2008 Sem comentários

Inspiradas no livro de Ruy Castro “Ela é Carioca” e pensando nas musas de Ipanema para ir além, a dupla Fernanda de Goeye e Paula Raia fez um dos desfiles menos literais e clichezentos do evento até agora. Elas também pensaram em Art Déco: camadas de tamanhos diferentes com a barra de bolinhas de metal formando desenhos, as já tradicionais fendas em locais estratégicos (os preferidos são costas e dos lados, logo abaixo da cintura, no “começo da curva” do quadril), volumes, cinturas megabaixas, cós megabaixos.

Elas se inspiraram em alguma musa de Ipanema específica? Não: “É uma mulher cosmopolita, uma mulher que tem Europa mas vive no Rio. Superglamurosa”, explica Fernanda no backstage.

Não entenda por glamurosa brilhos, onças, aquela sofisticação à la Milano. Raia de Goeye sempre usa tecido natural e dessa vez não foi diferente: algodão, seda, linho, tudo muito leve. Nos detalhes: juta, ponteiras de madeira. A cor cru aparece logo no começo; também surgem tons terrosos, tijolo… O Brasil não é só verde anil amarelo, o Brasil é muito mais do que um punhado de lugar comum, o Brasil pode ter vários “tipos de glamour”, o Brasil não precisa ser estampado. 

Na trilha, playback com percussão ao vivo de um pai de santo percussionista, Zero. E a imagem que fica na cabeça é mais sofisticada, por ser menos fácil no sentido de “reflexão fashion”, e ao mesmo tempo relaxada (mesmo nos momentos mais “barrocos”, cheios de detalhezinhos).

Uma brasileira não vai se montar de brasileira porque ela não é turista levando souvenir, uma estrangeira não vai se montar de brasileira a menos que esteja passando férias aqui ou em uma festa a fantasia. Essa moda que a Raia mostrou é possível aqui e no exterior, sem ranço de “Fui ao Corcovado e lembrei de você” – mesmo porque, pra isso, basta apenas uma camiseta comprada na lojinha do Galeão.

*Fotos: AgNews

O vestido curto com cauda da Iódice

7, novembro, 2008 3 comentários


Foto do backstage da Iódice: já já tem fotos do desfile!

Por que ele deu uma lufada de novidade na temporada?

Porque ele é bonito. Porque ele não é tendência do verão e agora aparece no alto verão. Porque ele é uma alternativa aos longos esvocaçantes que todo mundo está mostrando – dá efeito de longo e mostra as pernas ao mesmo tempo.

Fora mostrar novidades – acredite, é um alívio quando um desfile traz novidade, a gente tem o que contar para vocês – Valdemar trouxe de volta a boca de sino, brincou com o neoprene do surfe, fez uns looks em efeito amassado à la Prada, trouxe leveza com voluminhos soltinhos que balançam com o andar da modelo. Cartela de cores: branco + preto + azul, branco + laranja + salmão. Na trilha sonora, “Cais” de Milton Nascimento – uma alternativa para a bossa nova clichê, mais dramática, que atinge brasileiros e estrangeiros.

Michelle Alves fecha o desfile com a pele brilhante, cabelo com efeito molhado. Aplausos: o esforço criativo de fazer um alto-verão que tem ligação com o verão mas também tem a sua própria história valeu.

*Foto: Getty Images