A garota de Ipanema de Raia de Goeye

Inspiradas no livro de Ruy Castro “Ela é Carioca” e pensando nas musas de Ipanema para ir além, a dupla Fernanda de Goeye e Paula Raia fez um dos desfiles menos literais e clichezentos do evento até agora. Elas também pensaram em Art Déco: camadas de tamanhos diferentes com a barra de bolinhas de metal formando desenhos, as já tradicionais fendas em locais estratégicos (os preferidos são costas e dos lados, logo abaixo da cintura, no “começo da curva” do quadril), volumes, cinturas megabaixas, cós megabaixos.
Elas se inspiraram em alguma musa de Ipanema específica? Não: “É uma mulher cosmopolita, uma mulher que tem Europa mas vive no Rio. Superglamurosa”, explica Fernanda no backstage.
Não entenda por glamurosa brilhos, onças, aquela sofisticação à la Milano. Raia de Goeye sempre usa tecido natural e dessa vez não foi diferente: algodão, seda, linho, tudo muito leve. Nos detalhes: juta, ponteiras de madeira. A cor cru aparece logo no começo; também surgem tons terrosos, tijolo… O Brasil não é só verde anil amarelo, o Brasil é muito mais do que um punhado de lugar comum, o Brasil pode ter vários “tipos de glamour”, o Brasil não precisa ser estampado.
Na trilha, playback com percussão ao vivo de um pai de santo percussionista, Zero. E a imagem que fica na cabeça é mais sofisticada, por ser menos fácil no sentido de “reflexão fashion”, e ao mesmo tempo relaxada (mesmo nos momentos mais “barrocos”, cheios de detalhezinhos).
Uma brasileira não vai se montar de brasileira porque ela não é turista levando souvenir, uma estrangeira não vai se montar de brasileira a menos que esteja passando férias aqui ou em uma festa a fantasia. Essa moda que a Raia mostrou é possível aqui e no exterior, sem ranço de “Fui ao Corcovado e lembrei de você” – mesmo porque, pra isso, basta apenas uma camiseta comprada na lojinha do Galeão.
*Fotos: AgNews
