
Hamish Bowles, da “Vogue”
Na van ouço as frases, por alto: “Muita festa, pouca roupa”. “Sites internacionais só falam de caipirinha. Nada de roupa”. Isso veio de gente que entende do assunto – e eu, que não estava entrevistando-as (são duas mulheres), não posso citar nomes, né? Adivinha aí.
Nesse mote, vamos lá: perguntamos ao jornalistas internacionais nesse último dia de Claro Rio Summer se eles estão gostando do evento. Afinal, eles são um dos dois focos do Claro Rio Summer - o outro são os compradores internacionais.
Jason Campbell, do “JC Report”, já veio para outros eventos nacionais. “É uma boa fatia da moda brasileira, muito específica. Eu sei que não é a representação de toda a moda brasileira” e mais alguns elogios. Somos conhecidos de vários eventos, inclusive Brasília (Capital Fashion Week). Ele pergunta minha opinião e eu digo. Ele responde: “Vou levar sua opinião em consideração, é uma opinião de um nativo (risos). Mas o que eu esperava ver era mesmo hot boys and girls em roupa de banho”.
Akiko Ichikawa, que faz matérias para várias revistas japonesas (inclusive “Vogue”): “Já vim para o SPFW e Fashion Rio. O evento mostra elementos muito bacanas da cultura brasileira, não somente a moda. Niemeyer, Caetano, samba…”. Mas e a roupa? “Já conhecia alguns estilistas. Essa é uma ótima seleção de estilistas brasileiros”.
Deeny Godfrey, do WWD: “Pessoas se esquecem do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) em matéria de moda, e esse grupo é o futuro da moda. Comparando com os outros países do BRIC, aliás, o Brasil é mais elegante e fashion”. Mas e as roupas? “A estação foi bem apresentada, mas… confesso que não estou tão impressionado quanto eu esperava”. Marcas que ele gostou: Blue Man e Rosa Chá.
Hamish Bowles, da “Vogue”: “Acho que é um ótimo jeito de ver as roupas, especialmente em algumas coleções. como Cris Barros com um vídeo de imagens antigas do Rio ao fundo, e Carlos Miele com aquela vista… Algumas foram mais bem sucedidas, outras não”. E as roupas? Pensou, pensou: “Isabela Capeto foi uma coleção forte. Cris Barros eu achei charmoso”.
O que dá para captar depois de todas as respostas: o lifestyle está sendo vendido, muito bem, obrigado. A moda… Samba sem teleco-teco não é samba, evento de moda sem moda… não é evento de moda.
Falei com todos eles nessa manhã, antes do desfile da Jo de Mer na Casa das Canoas. A casa é linda. E – para variar um pouco – caipirinha (com vodca Belvedere) estava sendo servida. Como disse a Gabi Pacheco, do blog Fervo da Moda: “Não vou tomar caipirinha antes do meio-dia, só gringo pode”. No meu lifestyle, realmente, caipirinha ao meio-dia não existe. E não é porque sou paulista – no da minha irmã, que mora no Rio, também não.
*Foto: Getty Images