Já virou tradição as reviravoltas que acontecem na seleção brasileira com a proximidade da Copa do Mundo. Para 2010, o “ritual” deve seguir, já que há várias posições com incógnitas. Nem mesmo a convocação desta terça-feira mostrará o grupo que defenderá o Brasil na África do Sul, pois a história mostra que até, durante os Mundiais, o Brasil sofre com mudanças drásticas. Veja exemplos do que já aconteceu com a seleção brasileira de última hora em Copas do Mundo.
2006 (Alemanha)
Fred (foto: Getty Images) cavou seu espaço aos poucos na seleção brasileira. Depois de despontar no Cruzeiro, fez também um breve sucesso no Lyon. E tudo isso foi o suficiente para, pouco antes da Copa, ganhar a atenção de Carlos Alberto Parreira. O treinador, então, não titubeou e o levou para o Mundial, no qual naufragou ao lado de outras grandes estrelas ofensivas, como Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Também nessa Copa, Mineiro herdou uma vaga após uma contusão no joelho de Edmílson.
2002 (Japão e Coreia do Sul)
A reta final da Copa disputada no Japão e na Coreia do Sul esteve repleta de incógnitas. E os jogadores que atuavam no Brasil foram os que se deram melhor. Kaká, Anderson Polga e Kleberson (foto: Getty Images) foram os premiados pelo técnico Luiz Felipe Scolari. No fim das contas, Kleberson ainda ganhou uma vaga de titular do meio-de-campo, ao lado de Gilberto Silva e Ronaldinho Gaúcho. Também nesse Mundial, Ricardinho foi convocado às pressas para substituir Emerson, com uma lesão no ombro.
1998 (França)
A grande dúvida de Zagallo era a reserva de Cafu (foto: Getty Images), já que ninguém se firmava. Na reta final, porém, Zé Carlos, um jogador de 30 anos despontou atuando pelo São Paulo e superou Zé Maria, que era seu concorrente à vaga. No fim, ele teve boa participação, já que disputou a semifinal contra a Holanda por causa da suspensão de Cafu. André Cruz foi outro a ganhar vaga de última hora, mas por causa da contusão de Márcio Santos. Para o Mundial da França, Romário foi cortado às vésperas da estreia, dando lugar a Emerson.
1994 (Estados Unidos)
O ataque foi o grande beneficiado das mudanças de última hora. O então novato Ronaldo (foto: Getty Images), de apenas 17 anos de idade, chamou a atenção pelas atuações no Cruzeiro, e Viola vinha em boa fase no Corinthians, o que obrigou o técnico Carlos Alberto Parreira a convocar cinco atacantes (Romário, Bebeto e Müller já estavam garantidos). Já nos EUA para a disputa da Copa, a seleção ainda teve a novidade do zagueiro Ronaldão, que substituiu o contundido Ricardo Gomes.
1990 (Itália)
Bismarck e Tita foram as grandes novidades da convocação final de Sebastião Lazaroni. Também estavam no páreo Neto, que brilhava cada vez mais pelo Corinthians, e Jorginho, ponta-direita habilidoso da Portuguesa e que posteriormente fez sucesso no meio-de-campo. Para essa Copa, Lazaroni também esperou até os instantes finais para convocar Romário (foto: Getty Images). O “Baixinho” teve uma fratura na perna pouco antes da competição e se recuperou a tempo, mas não entrou na forma física ideal.
1986 (México)
O chamado de última hora nessa Copa foi inusitado. O escolhido foi Josimar (foto: AP). Ele ocupou o lugar de Leandro, que não compareceu ao embarque para o México em solidariedade ao amigo Renato Gaúcho, cortado por indisciplina. Josimar, então, foi à Copa e marcou dois golaços de longa distância. Para o lugar de Renato Gaúcho, Edivaldo herdou a vaga. Outros jogadores que chegaram ao grupo de última hora foram Valdo e Mauro Galvão, nos lugares de Toninho Cerezo e Mozer, contundidos. Telê Santana esperou Zico, que vinha de grave lesão no joelho, até o último instante e o levou, mas sem boas condições físicas.
1982 (Espanha)
Renato, Dirceu e Serginho (foto: Getty Images) foram à Copa sem serem os mais utilizados durante as eliminatórias. Os favoritos às vagas eram Tita, que não gostava de jogar no ataque, Zé Sérgio, que vivia mergulhado em lesões, e Reinaldo, que também passava por problemas físicos. Desses, apenas Serginho foi titular e teve atuações discretas em um time que contava com estrelas do porte de Zico, Sócrates, Éder, Júnior e Falcão. Roberto Dinamite foi outro beneficiado, mas só ganhou vaga no elenco depois de uma lesão no joelho de Careca.
Dois jogadores que chegaram de última hora terminaram a Copa como titulares. O lateral-direito Nelinho, que herdou a vaga de Zé Maria, e Roberto Dinamite, que ocupou o lugar de Nunes, brilharam. Nelinho foi, inclusive, autor de um dos gols mais bonitos da história, na disputa do 3º lugar, contra a Itália. Dinamite foi um dos principais artilheiros do time dirigido por Cláudio Coutinho.
1970 (México)
João Saldanha comandou a seleção brasileira até as eliminatórias. Em uma história não confirmada por ninguém, ele teria sido derrubado pela ditadura. Zagallo (foto: AP) entrou em seu lugar e fez uma mudança em uma base vitoriosa. Paulo César Caju deixou o time para a formação de um quinteto de “camisas 10″ (Gérson, Rivellino, Tostão, Jairzinho e Pelé). Piazza, que jogava no meio-de-campo, foi deslocado para a zaga para formar dupla com Brito. E quem deixou o time foi Joel Camargo.
1962 (Chile)
Na Copa do Chile, uma mudança já no decorrer do Mundial deu muito certo. E quem saiu do time foi o Rei do Futebol. No segundo jogo do torneio, Pelé sentiu uma contusão na virilha e foi substituído por Amarildo (foto: AP). O então meio-campista do Botafogo doi um dos destaques da competição ao lado de Garrincha, levando a seleção canarinha ao bicampeonato mundial.
1958 (Suécia)
O ano do primeiro título mundial do Brasil também foi de uma grande mudança no andamento do torneio. Afinal, Pelé (foto: AP), Garrincha e Zito começaram a disputa fora do time titular. Nos dois primeiros jogos, uma vitória e um empate. A partir do terceiro jogo, no entanto, os três foram a campo, a pedido também de Nilton Santos e Didi. Pelé ficou com a vaga de Dida, Garrincha tirou Joel da equipe, enquanto Zito deixou Dino Sani na reserva. E com essa formação, o Brasil foi com 100% de aproveitamento até seu primeiro troféu.