
“Sou um soldado à espera.”
Em entrevista a ninguém menos que Fausto Silva, o ex-repórter de campo que hoje comanda o Ibope na tarde de domingo da TV brasileira, o atacante disse que voltar à seleção brasileira está na sua lista de metas para a temporada, embora sem fazer uma pressão muito grande sob o treinador Dunga.
Talvez não seja preciso. Tudo parece conspirar para o retorno do Fenômeno à camisa amarela, pela primeira vez desde o fiasco da campanha na Copa de 2006, na Alemanha.
Primeiro, porque Ronaldo desandou a fazer gols pelo Corinthians. Ganhou exposição em massa, aqui e lá fora, e somou mais uma obra-prima à sua vasta coleção com o gol de cobertura contra o Santos na primeira final do Paulistão.
Segundo. Dunga foi ao Pacaembu no domingo. Naturalmente, o jogo oferecia inúmeras opções para avaliação do técnico – mais no lado do time da casa do que no Santos, com Elias e André Santos e, para o futuro, quem sabe, o garoto Neymar figurando como destaques.
Mas não dá para desprender a visita da presença do celebrado atacante em campo. Dessa vez ele não guardou o dele. Por outro lado, sua participação talvez tenha sido ainda mais importante de um ponto de vista tático e da psicologia do esporte – o veterano se esforçou, marcou a saída de bola, tentou tramar jogadas. Não foi seu jogo mais inspirado, é certo. Sobrou dedicação.
Terceiro… Quando a seleção se reagrupou para a disputa dos primeiros jogos pelas eliminatórias para a Copa do Mundo no final de março, o Abril.com destacou o bom número de opções para Dunga no ataque. Algo que no início de seu trabalho na equipe era escassez havia virado excesso.
Pois bem. Um mês depois, a gangorra dos artilheiros nacionais continua. Alexandre Pato e Luís Fabiano esfriaram na Europa, embora o centroavante do Sevilla não precise se sentir ameaçado de modo algum em termos de confiança do ‘professor’. Amauri não já não parece história nenhuma, ainda mais afastado por lesão. Vagner Love está fora da Copa da Uefa. Keirrison é criticado por palmeirenses. Só Grafite, mesmo, teve um período de alta.
Quer dizer… Grafite e Ronaldo, né?
Voltando à entrevista ao Faustão:
“Meu objetivo é jogar pelo Corinthians e fazer o meu melhor”, disse. “Seleção não é uma escolha só minha. Se dependesse de mim, já estaria lá. Sou um soldado na reserva esperando um chamado do comando.”
A próxima convocação sai no dia 21 de maio. O Brasil enfrenta Uruguai, fora, no dia 10 de junho, e Paraguai, no Recife, no dia 10, pelas eliminatórias. O mesmo grupo será listado para a Copa das Confederações.
Chegou o momento do retorno?
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Foto: Maurício Lima/AFP