Espanha x Alemanha: veja o que mudou em relação à final da Euro 2008
Muito tem se falado que o duelo entre espanhóis e alemães, nesta quarta-feira (7), pelas semifinais da Copa do Mundo 2010, seria uma reedição da final da Euro 2008, mas os times estão bem diferentes em relação ao duelo que valeu o título do Velho Continente.
Espanha:
No jogo de 29 de junho de 2008, no estádio Ernst Happel, em Viena, a Espanha jogou em um 4-1-4-1. Sergio Ramos, Carlos Marchena, Carles Puyol e Joan Capdevila protegiam a meta de Casillas. Marcos Senna era o cão de guarda que cobria as subidas de Sergio Ramos e Capdevilla. Iniesta pela direita, Xavi e Fabregas armando pelo meio e David Silva pela esquerda eram os responsáveis por municiar o solitário atacante Fernando Torres.
O técnico Luis Aragonês foi obrigado a utilizar esse esquema em que todos os meias marcam, atacam e trocam de posição porque o grande astro da equipe, David Villa, se machucou na semifinal contra a Rússia. Com a lesão de Villa, Fàbregas entrou no time.
A “Fúria Roja” que entrou em campo contra o Paraguai, pela quarta de final da Copa 2010, é um pouco diferente deste time de 2008. A começar pelo banco. Vicente Del Bosque parece ter colocado um freio de mão no time leve montado por Aragonês. No campo, Piqué ganhou a vaga de Marchena. Busquets, Xabi Alonso e Villa entraram nas vagas de Senna, Silva e Fàbregas, respectivamente.
O esquema tático também mudou. Agora é um 4-2-3-1, o esquema da moda. Enquanto Busquets e Alonso têm a função de roubar a bola e distribuir com velocidade, mas nenhum dos dois possui um pulmão de Marcos Senna. Iniesta se posiciona mais a direita e entra pelo meio para ajudar Xavi a armar. O camisa 8 da seleção e do Barcelona é quem tem se sacrificado mais para atender o esquema de Del Bosque. Xavi, que jogava de armador recuado no time da Euro 2008, agora atua como um meia atacante, de costas para o gol. Nesse esquema, quando Torres está em campo, Villa joga aberto pela esquerda, volta para ajudar na marcação e entra pelo meio para fazer seus gols.
A fase de Villa é tão boa, que mesmo em um esquema diferente e que piorou a ofensividade do time, ele consegue se manter artilheiro. Na Euro foram 4 e o prêmio de chuteira de ouro. Na Copa, já são 5 em 5 jogos e o troféu de goleador está cada vez mais próximo.
Alemanha:
Enquanto a Espanha diminuiu seu ímpeto pelo gol em relação ao torneio continental, os germânicos fizeram o caminho inverso. Em junho de 2008, Joachim Löw escalou o time no famigerado esquema 4-2-3-1, o mesmo utilizado nessa Copa. Mas não foi a tática que fez a Alemanha passar de um time “competitivo” para a equipe “sensação” do mundial.
Na Áustria, a defesa era formada por Lehmann, Friedrich, Mertesacker, Metzelder e Lahm. No meio, Torsten Frings e Hitzlsperger tinham a incumbência de desarmar os adversários e começar as jogadas ofensivas. Schweinsteiger era o meia pela direita, Lukas Podolski ficava pela esquerda e Ballack ficava com a faixa central. Klose jogava isoladão lá na frente. O “Mannschaft” tinha média de 27,9 anos. O goleiro Lehmann estava com 38 anos de idade na época.
O time que entrou em campo contra a Argentina, pela quarta de final da Copa 2010, ostenta média de idade de 24,6 anos. O mais jovem é Müller, com 20 anos. O grandalhão Friedrich era o lateral direito na Euro, agora é o zagueiro pela direita. Lahm era o lateral esquerdo, agora é o direito. Boateng, de 21 anos, não existia e agora ocupa a esquerda. Frings brigou com Löw e nem foi para a África. Com isso, Schweinsteiger deixou de ser um atacante mediano pela esquerda para se tornar um excelente volante pelo meio. O descendente de tunisianos Khedira ganhou a vaga de Hitzlsperger e é o companheiro de Schwein na marcação e armação de jogadas.
Depois da dupla de volantes, o trio de meias-atacantes é o que mais tem contribuído para a Alemanha apresentar um futebol leve e goleador. Müller na direita, Özil pelo meio e Podoslki na esquerda são mais jovens, trocam mais de posição, chegam à frente e, o que é mais importante, fazem a bola chegar a Klose com mais facilidade do que os três de 2008.