Calma, Dunga, o pior ainda não passou
O técnico Dunga fecha a temporada comemorando a segunda colocação na classificação das eliminatórias para a Copa do Mundo. É seu escudo contra a forte pressão que sofre no cargo de comandante da seleção brasileira. A má notícia para o gaúcho é que o pior, na trajetória rumo à Copa, ainda não passou.
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Veja alguns obstáculos para o treinador na próxima temporada:
1) A tabela vai complicar
É bom a seleção aproveitar, e muito bem, as duas primeiras rodadas de 2009, nos dias 29 e 31 de março, contra Equador (fora) e Peru (casa). É bom conseguir um respiro em pontos. Pois o time, que já desperdiçou muitos pontos em casa, vai encarar um trecho nem um pouco amistoso na seqüência: Uruguai em Montevidéu, o líder Paraguai em casa e Argentina em Buenos Aires. Vamos repetir? Arqui-rivais em seus estádios e o encardido Paraguai.
2) A noite européia ferve
A bola vai ficar parada no Brasil, mas segue rolando na Europa. Para Dunga, seria ótima notícia, já que seus principais atletas continuarão em forma. O problema é que, paralelamente à ação no gramado, alguns convocáveis também estão em atividade com passeios noturnos. Cada festa pode valer um problema para o treinador. Nas últimas semanas, Adriano, Ronaldinho Gaúcho e Jô tiveram ‘noitadas’ relatadas pela mídia local. O “Imperador” foi barrado na Internazionale, mas ganhou nova chance na seleção. Agora, se as punições se alastrarem e o técnico quiser manter sua coerência – a de só chamar atletas em fase regular -, ele pode ter problema na hora de montar as próximas listas de 22 nomes.
3) Férias nacionais
O calendário do futebol brasileiro se encerra em dezembro mesmo, e isso significa que não disputa entre clássicos, resultados e luta por título pelas manchetes. O que abre caminho para a temporada da boataria. Quem fica? Quem sai? E, entre as especulações prediletas, está a pergunta: “Quem assume o lugar de Dunga na seleção?”. Muricy Ramalho, perto de tricampeonato nacional inédito, já desponta como queridinho. Mas outros candidatos podem surgir. Melhor não abrir o jornal.
4) Baixa popularidade
Se os últimos jogos no país servem como termômetro, o treinador não está muito bem com a galera. Vaias, críticas e as ofensas básicas da profissão foram desferidas de modo acintoso. Sem poder colocar o time em campo para buscar reação, a imagem de equipe desmantelada vai ficar com a seleção pelo menos até próximo fevereiro.
5) Apoio de quem?
Com o cerco montado a Dunga, a direção da CBF decide fazer o que sempre fez bem: se calar. Em excursão pelo país para promover a Copa do Mundo de 2014, o presidente Ricardo Teixeira tem se negado insistentemente a falar sobre a seleção. Não sai uma palavra em defesa de seu contratado.
Foto: Vanderlei Almeida/AFP